Inteligência dos EUA tentou alertar Casa Branca sobre coronavírus em novembro


Veronica Stracqualursi, da CNN, em Washington
08 de abril de 2020 às 20:43
O Pentágono, em Washington, EUA, sede do Departamento de Defesa

O Pentágono, em Washington, EUA, sede do Departamento de Defesa

Foto: AFP/Getty Images

Oficiais americanos já haviam alertado sobre a transmissão e ameaça do novo coronavírus em novembro de 2019, quando o vírus se espalhava pela região de Wuhan, na China. A informação é da emissora norte-americana ABC News.

De acordo com a reportagem, o relatório foi compilado pelo Centro Nacional de Inteligência Médica (NCMI, na sigla em inglês) e conclui que o vírus teria potencial de se tornar um "evento catastrófico". As informações foram repassadas múltiplas vezes para a Casa Branca, Agência de Inteligência do Governo e para o Pentágono, sede do Departamento de Defesa.

O assunto foi tema de várias reuniões em dezembro de 2019, que incluíam o Conselho de Segurança Nacional, e de um relatório detalhado ao presidente Donald Trump em janeiro deste ano.

O relatório, que ainda não foi independentemente verificado pela CNN, levantou preocupações devido à ameaça que representaria para os militares americanos na Ásia.

A CNN aguarda resposta do Conselho Nacional da Casa Branca e do Pentágono. Ambos, além do gabinete do diretor da Inteligência Nacional, se recusaram a comentar a reportagem.

Trump sob escrutínio

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Foto: CNN (28.mar.2020)

O governo Trump tem enfrentado críticas por não conter com a rapidez necessária a disseminação do coronavírus nos Estados Unidos —atualmente, o país com o maior número de casos confirmados de COVID-19 em todo o mundo.

O relatório da inteligência é mais uma indicação de que o governo Trump já havia sido avisado sobre o vírus muito antes de que o país tivesse qualquer caso confirmado. Mesmo assim, Trump continuava a alegar que a situação era totalmente inesperada.

O Secretário da Defesa dos EUA, Mark Esper, disse no último domingo (5), durante uma entrevista à ABC News, que ele não lembrava se havia recebido o relatório do NCMI em novembro passado. “Nós temos muitas pessoas que observaram isso de perto. Nós temos um Instituto de Pesquisa Americano para Doenças Infecciosas, que trabalha com o Exército Americano. O pessoal que trata o tema diretamente observa isso o tempo inteiro”, disse Esper, que também alegou desconhecer a reunião que incluiu o Conselho Nacional de Segurança.

Trump tem elogiado seu governo repetidamente pelos esforços feitos para diminuir a disseminação do vírus nos Estados Unidos, enfatizando a decisão de restringir voos da China desde 31 de janeiro. Mas, inicialmente, o presidente americano minimizou a gravidade da COVID-19 e insistiu que ninguém poderia prever a pandemia. “Ninguém sabia que teríamos uma pandemia ou uma epidemia desse tamanho”, disse Trump no dia 19 de março na Casa Branca.

No entanto, já havia sido noticiado que Trump e o Congresso ignoraram, no início de janeiro, os relatórios que alertavam sobre a escala e a intensidade da crise do coronavírus na China.

Além disso, o conselheiro presidencial Peter Navarro também já havia alertado sobre a situação em um documento de janeiro, que supunha a evolução do coronavírus para uma "pandemia total", que prejudicaria a economia americana e poderia culminar na perda de milhões e trilhões de dólares.

Navarro também informou em outro documento, menos de um mês depois, que o risco de uma pandemia estava crescendo e pediu à Força Tarefa da Casa Branca para que garantissem bilhões de dólares em despesas adicionais com urgência.