Fugindo da pobreza, indiana dá à luz e caminha por 160 km com o bebê

Família deixou a cidade de Nashik pois não tinha lugar para morar

Swati Gupta e Rob Picheta, da CNN
14 de maio de 2020 às 10:31 | Atualizado 14 de maio de 2020 às 11:32
Mulher deu à luz uma menina durante trajeto pela Índia
Foto: Kavita Kanesh

Uma mulher grávida que viajava pela Índia, a pé, teve que interromper a jornada para dar à luz e, depois, continuou andando por mais 160 km com o filho recém-nascido.

A mulher, cuja identidade é desconhecida pela CNN, caminhava com o marido e outros quatro filhos. Eles deixaram a cidade de Nashik, em Maharashtra, e seguiam em direção ao distrito de Satna, no estado de Madhya Pradesh.

No meio do trajeto, a mulher parou e deu à luz uma menina. Poucos dias depois, ela foi parada por Kavita Kanesh, funcionária de um posto de controle em Madhya Pradesh.

“Ela descansou por cerca de 1h30, 2h depois do parto. A família não tinha dinheiro, não tinha recursos para transporte e ninguém aceitava dar carona”, contou Kanesh à CNN. Ela disse que o bebê nasceu no dia 5 de maio, quatro dias antes de a mulher chegar ao posto de controle.

Assista e leia também:
Índia relata o maior número de casos de coronavírus em um único dia
Índia transforma trens em hospitais e fecha ferrovias pela 1ª vez em 167 anos
Distanciamento é privilégio da classe média e em favelas na Índia, impossível

A família deixou a região de Nashik pois não tinha lugar para morar, e a determinação de lockdown para conter o avanço do novo coronavírus no país a deixou sem qualquer forma de ganhar dinheiro, segundo Kanesh.

A funcionária contou à CNN que conseguiu fazer a mulher ser levada a uma unidade de quarentena e receber tratamento médico.

Milhares de trabalhadores migrantes tentam deixar cidades indianas e voltar aos seus vilarejos, desde que as restrições causadas pela Covid-19 entraram em vigor. Com o fechamento do transporte público, muitos deles se veem obrigados a fazer essa jornada a pé. 

Até o momento, a Índia registrou mais de 78 mil casos da doença e 2.551 mortes, segundo dados da Universidade de Medicina John Hopkins.