Uma a cada 6 crianças na Espanha teve depressão durante a pandemia, diz pesquisa


Reuters
21 de maio de 2020 às 12:36
Crianças brincam na Espanha após redução do isolamento social

Crianças brincam em Ronda, na Espanha, após flexibilização do isolamento

Foto: Jon Nazca -28.abr.2020/ Reuters

Uma a cada seis crianças na Espanha se sentiu deprimida, com frequência, durante a pandemia do novo coronavírus – e as de famílias mais pobre sofreram ainda mais – disse uma instituição de caridade nesta quinta-feira (21).

O país adotou um dos isolamentos mais rigorosos do mundo, que incluiu manter as crianças a portas fechadas durante semanas para conter o surto de Covid-19 que matou quase 28 mil pessoas no país.

A ONG Save the Children disse que sua pesquisa de abril mostrou que, embora o isolamento tenha permitido que as famílias desfrutassem de mais tempo juntas, 17% das crianças se sentiram deprimidas frequente ou diariamente e que as novas adversidades econômicas estão ampliando as desigualdades.

Nas famílias mais pobres, 32,3% das crianças tiveram dificuldade para dormir, e 30,1% sentiram medo da Covid-19 – quase um terço a mais do que em lares menos vulneráveis. Aquelas de origem mais humilde também choravam mais, de acordo com a pesquisa feita com 1,8 mil entrevistas com crianças e familiares.

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A Save the Children disse que uma de cada quatro famílias vulneráveis sofreu com a perda de empregos ou a diminuição de renda, aumentando a tensão e a incerteza das crianças. Em alguns casos, famílias tiveram que dividir acomodações com estranhos para diminuir o valor do aluguel.

"Ficar isolado em apartamentos minúsculos com pessoas que não são parte de sua família na verdade é um risco, porque estas famílias estão enfrentando dois tipos de estresse. Elas perderam o emprego por não poderem trabalhar e estão isoladas em lugares minúsculos", disse Andres Conde, chefe da Save the Children da Espanha.

A instituição fez um apelo às autoridades para ampararem as famílias pobres suprindo suas necessidades básicas.

O governo espanhol tem repetido que não negligenciará ninguém e que planeja pagar uma renda mensal básica a cerca de um milhão das famílias mais pobres.