Estados Unidos devem anunciar restrições de viagens ao Brasil

Preocupação americana com doença no Brasil levou o encarregado de negócios da embaixada brasileira em Washington, o Nestor Forster, a procurar a Casa Branca

Luiza Duarte Da CNN, em Nova York
24 de maio de 2020 às 12:20 | Atualizado 24 de maio de 2020 às 15:13

O conselheiro de segurança da administração americana, Robert O’Brien, disse neste domingo (24) que o governo deve anunciar novas restrições de viagens ao Brasil.

Durante uma entrevista à rede americana CBS, O’Brien afirmou que o governo americano provavelmente tomará uma decisão sobre restringir viagens ao Brasil ainda hoje e disse que funcionários da Casa Branca "esperam que [bloqueio] seja temporário".

Segundo ele, a Casa Branca também vai avaliar possíveis restrições para outros países da região, diante do avanço da Covid-19. Desde o início da pandemia, o governo americano já baniu voos vindos de mais de 30 países.

Na última semana, o presidente americano, Donald Trump, disse que considerava suspender voos vindos do Brasil com destino aos Estados Unidos.

“Eu me preocupo com tudo, eu não quero as pessoas vindo aqui e infectando nosso povo. O Brasil está tendo problemas, não há dúvidas sobre isso”, afirmou.

O Brasil se tornou o segundo país com maior número de casos confirmados da doença no mundo, enquanto os EUA seguem sendo o epicentro da pandemia, com mais de 1,6 milhão de casos. 

Trump alegou que a Flórida está indo bem com a aplicação de testes para a Covid-19, o estado é a principal porta de entrada aérea de brasileiros em solo americano. No mês passado, o presidente americano já tinha questionado se o governador da Flórida, Ron DeSantis, queria barrar voos do Brasil. 

"O Brasil tem um surto sério, como vocês sabem. Eles também foram em outra direção que outros países da América do Sul, se você olhar os dados, vai ver o que aconteceu infelizmente com o Brasil", afirmou Trump no dia 28 de abril.

A preocupação americana com o avanço da doença no Brasil levou o encarregado de negócios da Embaixada brasileira em Washington, o Embaixador Nestor Forster, a procurar a Casa Branca e a apresentar uma lista de medidas que estão sendo tomadas no Brasil contra o novo coronavírus.

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Fronteiras

A fronteira dos Estados Unidos com o Canadá vai ficar fechada por mais 30 dias - até o 21 de junho - para viagens não essenciais. O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, classificou a ligação terrestre com o país que é o epicentro da pandemia no mundo, como um “ponto de vulnerabilidade”.

"Sabemos que precisamos fazer mais para garantir que os viajantes que retornam do exterior ou dos Estados Unidos, incluindo canadenses, estejam sendo acompanhados adequadamente, estejam adequadamente isolados e não se tornem vetores adicionais para a disseminação do Covid-19”, defendeu Trudeau.

O primeiro-ministro anunciou na terça-feira (19) a ampliação do fechamento da fronteira que teve início em março e repetiu que medidas mais fortes podem ser adotadas, como exigir quarentena, exames médicos e rastreamento para quem entra no Canadá, incluindo americanos.

A diretora de saúde pública do Canadá, Dra. Theresa Tam, disse que a única coisa que permite ao Canadá gerenciar essa primeira onda da doença é o fato de que viajantes internacionais foram proibidos e que canadenses e residentes canadenses que retornaram ficaram em quarentena por duas semanas.

"Queremos garantir que não apenas continuemos, mas talvez iremos fortalecer algumas dessas medidas. A quarentena obrigatória de 14 dias das pessoas que entram continua sendo uma pedra angular”, garantiu Tam. O Canadá tem mais de 79 mil casos de coronavírus e pelo menos 5.960 mortes provocadas pela doença.

Desde o início da pandemia, os Estados Unidos já suspenderam voos vindos da China, do Irã, da Europa, Reino Unido e Irlanda. O governo americano também restringiu o trânsito de pessoas na fronteira sul, com o México.

Um porta-voz do Departamento de Segurança disse à CNN que “os Estados Unidos apreciam muito os esforços de nossos parceiros no Canadá e no México para garantir que a América do Norte esteja trabalhando em conjunto para combater a pandemia causada pelo novo coronavírus".