Cidade de Nova York elimina unidade de polícia recordista de reclamações

Grupo era formado por 600 detetives, que irão integrar outras unidades de perícia depois de passarem por um período de adaptação e treinamento

Marcelo Favale, da CNN em Nova York
15 de junho de 2020 às 19:54
Manifestantes protestam em Nova York contra o racismo e a brutalidade policial nos EUA
Foto: Reprodução - 03.jun.2020 / Reuters

A partir desta segunda-feira (15), Nova York, a maior cidade dos Estados Unidos, não terá mais um grupo de investigadores que trabalhavam à paisana em inquéritos policiais. A equipe era especializada em se infiltrar em organizações criminosas.

O grupo era formado por 600 detetives, que irão integrar outras unidades de perícia depois de passarem por um período de adaptação e treinamento. O anúncio foi feito pelo comissário Dermot Shea, durante um pronunciamento.

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A medida foi tomada por causa do grande número de reclamações de má conduta dos policiais da unidade que foi extinta. A decisão acontece dois dias depois de o governador Andrew Cuomo ratificar um pacote de leis, aprovado pelo legislativo de Nova York, na semana passada, que proíbe o estrangulamento como tática policial para imobilização de suspeitos.

O texto também elimina a chamada “Cláusula 50”, que até então mantinha sigilosos os registros de policiais acusados de abuso.

O chefe da polícia de Nova York minimizou os impactos do fechamento da unidade anticrime e classificou o anúncio como “uma profunda mudança na cultura policial de Nova York”.

Na mesma coletiva de imprensa, as autoridades informaram que um policial flagrado lançando spray de pimenta contra manifestantes foi exonerado do cargo sem direito a indenizações. O caso aconteceu durante um protesto em 1º de junho, e a ação do agente foi considerada desproporcional.

A prefeita de Atlanta também veio a público nesta segunda anunciar que está preparando uma ordem executiva que obriga os policiais a intervirem na abordagem feita por um colega caso haja violência desnecessária ou desrespeito dos protocolos de imobilização de suspeitos.

Segundo a prefeita Keisha Bottoms, o decreto começou a ser escrito depois que Rayshard Brooks, um homem negro de 27 anos, morrer em confronto com dois policiais brancos no estacionamento de uma lanchonete, na noite de sexta-feira.

O agente que disparou contra Brooks foi demitido, e o chefe de polícia de Atlanta renunciou ao cargo após novos protestos.