Em votação histórica, Mississipi decide retirar símbolo escravagista da bandeira


Paul LeBlanc, da CNN
29 de junho de 2020 às 02:03 | Atualizado 03 de julho de 2020 às 18:08
Atual bandeira do Mississipi

Atual bandeira do Mississipi, com símbolo confederado; nova versão deve ser colocada para votação popular em novembro deste ano

Foto: Reprodução/Reuters

Neste domingo (28), a legislatura do estado americano do Mississipi aprovou um projeto de lei para remover o emblema confederado de sua bandeira - símbolo que representava estados contrários à abolição da escravidão durante a Guerra Civil americana. A votação histórica encaminha, assim, a extinção da única bandeira de estado nos EUA a ainda carregar o brasão.

O projeto agora segue para o governador do Mississipi, Tate Reeves, republicano que já afirmou que assinaria a lei.

A legislação - aprovada na Câmara estadual por 91 votos contra 23, e no Senado estadual por 37 votos contra 14 - ocorre quando os legisladores do Mississippi consideram uma mudança em sua bandeira há semanas, em meio a protestos de justiça racial em todo o país.

A bandeira, adotada pela primeira vez em 1894, tem listras vermelhas, brancas e azuis com o emblema da batalha confederada.

O projeto estabelece uma comissão para desenvolver um novo desenho de bandeira sem o emblema da Confederação. Os eleitores do estado do Mississippi devem eleger o novo projeto em novembro.

O deputado estadual Jeramey Anderson, democrata de Moss Point, considerou este domingo como um "momento histórico".

"Agradeço aos que vieram antes de nós, que, com coragem e determinação, nutriram o Movimento dos Direitos Civis que nos ajudou a nos levar até hoje", tuitou. "Que belo momento de união."

"Finalmente, o Mississippi decidiu ser um dos 50 estados, e não o único que ainda está com o emblema de uma sociedade segregada", disse Derrick Johnson, presidente da NAACP, entidade contra o racismo, a Wolf Blitzer, da CNN.

A votação de domingo ocorreu depois que a Câmara do Mississippi e o Senado aprovaram uma resolução no sábado para iniciar o processo de mudança da bandeira.

Após esses votos, o bisneto de Jefferson Davis (ex-presidente dos Confederados da América), Bertram Hayes-Davis, concordou com a possível mudança da bandeira do Mississippi, dizendo que a "bandeira de batalha foi sequestrada" e "não representa toda a população do Mississippi".

"É histórico e relacionado ao patrimônio, há muitas pessoas que o encaram dessa maneira, e Deus os abençoe por esse patrimônio. Então, coloque-o em um museu e honre-o lá ou em sua casa, mas a bandeira do Mississippi deve representar toda a população, e estou emocionado por finalmente fazer essa mudança ", disse Hayes-Davis à Ana Cabrera, da CNN.

A bandeira da Confederação, seus símbolos e as estátuas que comemoram os líderes confederados há muito dividem o país. Os críticos chamam a bandeira de um símbolo que representa a guerra para defender a escravidão, enquanto os apoiadores a chamam de sinal de orgulho e herança do sul.

Os símbolos tornaram-se cada vez mais um apelo aos supremacistas brancos.

Nas últimas semanas, a morte de George Floyd levou à remoção - por manifestantes em alguns casos e líderes da cidade em outros - de estátuas controversas e símbolos confederados que perturbam alguns moradores há décadas, se não mais.

Floyd, um negro de 46 anos, morreu em 25 de maio em Minneapolis. Enquanto estava preso, Floyd foi pressionado pelo joelho de um policial de Minneapolis por mais de oito minutos.

Ele foi declarado morto logo depois. Sua morte, que foi capturada em vídeo, provocou protestos generalizados nos EUA, com pessoas pedindo o fim da brutalidade policial contra negros.