Irã emite mandado de prisão para Trump por morte de Qasem Soleimani


Da CNN
29 de junho de 2020 às 12:06 | Atualizado 02 de julho de 2020 às 16:58
O Irã emitiu um mandado de prisão para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por causa do ataque com drones que matou o principal líder militar do país, em janeiro, informou a agência de notícias semi-oficial Fars nesta segunda-feira (29).

Trump é uma das 36 pessoas contra as quais o Irã emitiu mandados de prisão por causa da morte de Qasem Soleimani, comandante da Guarda Revolucionária. Segundo a Fars, o procurador-geral de Teerã, Ali Alqasi Mehr, disse que Trump seria processado assim que deixar a presidência, após o término de seu mandato.

O Irã também disse que pediu à Interpol para emitir um alerta vermelho para esses 36 indivíduos, informou outra agência estatal de notícias, a ISNA, embora seja improvável que o pedido seja atendido. A CNN entrou em contato com a Interpol para comentar a requisição de Teerã.

Soleimani foi morto em um ataque de drones dos EUA no aeroporto internacional de Bagdá em janeiro, junto com outras cinco pessoas, incluindo Abu Mahdi al-Muhandis, vice-chefe das Forças de Mobilização Popular do Iraque, apoiadas pelo Irã.

O ataque, considerado pelo Irã e seus aliados como um assassinato, ampliou a desestabilização regional.

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O enviado norte-americano para o Irã, Brian Hook, tratou o pedido de prisão como um "golpe de propaganda".

"Nossa avaliação é de que a Interpol não intervém e não emite alertas vermelhos baseados em natureza política", disse Hook em entrevista coletiva na Arábia Saudita nesta segunda-feira. "Esse é de natureza política. Isso não tem nada a ver com segurança nacional, paz internacional ou promoção da estabilidade. É um golpe de propaganda que ninguém leva a sério."

Um porta-voz do poder Judiciário do país, Gholam-Hossein Esmaili, anunciou no início de junho que um cidadão iraniano havia sido condenado à morte por supostamente trabalhar para agências de inteligência estrangeiras.

Esmaili afirmou que Seyed Mahmoud Mousavi Majd divulgou o paradeiro de Soleimani a oficiais de inteligência dos EUA.

O governo Trump via Soleimani como um assassino cruel, e o presidente norte-americano disse a repórteres em janeiro que o general deveria ter sido morto por presidentes anteriores.

O Pentágono culpou Soleimani pela morte de centenas de americanos e aliados dos EUA nos meses que antecederam sua morte.

"O general Soleimani desenvolvia ativamente planos para atacar diplomatas e militares norte-americanos no Iraque e em toda a região", disse o Pentágono na época, chamando o ataque de ação "defensiva decisiva", com o objetivo de impedir futuros ataques iranianos.

(Com informações de Nada AlTaher e Tara John, da CNN, e Reuters)