Últimas palavras de George Floyd foram 'não consigo respirar', confirma vídeo

A CNN teve acesso à filmagem gravada por câmera corporal da polícia

Omar Jimenez, da CNN
15 de julho de 2020 às 15:59
Vídeo registrou o momento da abordagem feita a George Floyd, homem negro assassinado por quatro policiais
Foto: Reprodução/CNN (28.mai.2020)

Uma nova filmagem da câmera corporal da polícia obtida pela CNN oferece um novo contexto sobre os momentos que levaram à morte de George Floyd.

Floyd chorou quando os policiais o tiraram de dentro do carro em que estava, e em um ponto, o agente Derek Chauvin parece usar o joelho para aplicar pressão sobre o pescoço de Floyd. As últimas palavras do homem, que não constavam na transcrição divulgada anteriormente, foram "não consigo respirar".

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Os dois vídeos assistidos pela CNN nesta quarta-feira (15) começam com os agentes da polícia de Minneapolis Thomas Lane e J. Alexander Kueng respondendo a um chamado sobre uma nota falsa usada em um mercado local. 

Dentro de 36 segundos após falar com um funcionário da loja, os policiais estão na porta do carro em que Floyd estava, e após uma batida com uma lanterna, Lane aponta a arma para Floyd e grita para que ele levante as mãos. Floyd suplica aos oficiais enquanto chora, em um ponto apoiando a cabeça sobre o volante.

Algemas

Por volta de três minutos do vídeo, Floyd é puxado forçadamente do carro e os policiais têm dificuldades para algemá-lo. Isso acontece depois de ele implorar aos agentes, chorando, enquanto eles tentavam levá-lo para a viatura.

O vídeo mostra o surgimento de um conflito quando os policiais Lane e Kueng tentam colocar Floyd no carro. Kueng está tentando empurrar Floyd para dentro, com Lane indo para o outro lado do veículo e tentando puxá-lo. Esse é o primeiro "não consigo respirar" dito por Floyd, por meio do que soou como uma voz estrangulada.

Eventualmente, Floyd cai do lado de Lane, e é nesse ponto em que os outros policiais, Thao e Chauvin, aparecem no vídeo. Então, Chauvin, Kueng e Lane tentam conter o homem, que cai para o local visto no vídeo. Após 11 minutos e 23 segundos na câmera corporal de Lane, o joelho de Chauvin vai para o pescoço de Floyd.

Floyd já estava algemado por quase oito minutos neste ponto e, enquanto já estava dominado, Chauvin parece aumentar a pressão no pescoço de Floyd, virando o peito do homem para baixo.

Aos cerca de 16 minutos de filmagem, as últimas palavras de Floyd são ouvidas: "Cara, eu não consigo respirar".

Os paramédicos chegam cerca de 9 minutos depois que o joelho foi ao pescoço de Floyd, e um minuto depois, o corpo do homem, completamente inerte, é colocado na ambulância.

O Departamento de Polícia de Minneapolis ainda não divulgou o vídeo do incidente, dizendo que é parte de uma investigação ativa pelo Gabinete de Apreensão Criminal sobre as ações dos agentes respondendo a um chamado de assistência.

Juiz disponibiliza gravação

Os quatro policiais envolvidos na abordagem a George Floyd; da esquerda para a direita, Derek Chauvin, J. Alexander Kueng, Thomas Lane e Tou Thao
Foto: Gabinete do Xerife do Condado de Hennepin/Reprodução (4.jun.2020)

A filmagem das câmeras corporais dos agentes Lane e Kueng foram protocoladas na Corte na semana passada pelo advogado de Lane como evidência para apoiar seu pedido de arquivamento das acusações. No entanto, só as transcrições foram disponibilizadas ao público.

O juiz distrital do condado de Hennepin, Peter Cahill, que é encarregado dos casos contra os quatro ex-policiais acusados pela morte de Floyd, disponibilizou a filmagem das câmeras corporais nesta quarta-feira.

Até o momento, Cahill negou que a imprensa publique os vídeos. Um grupo de veículos de mídia, incluindo a CNN, entraram com uma ação nesta segunda (13) pedindo a liberação imediata dos dois vídeos.

Floyd morreu em 25 de maio após Chauvin ajoelhar sobre seu pescoço por quase nove minutos. Lane e Kueng ajudaram a dominá-lo, enquanto Tou Thao ficou de pé próximo à cena.

Chauvin é acusado de homicídio doloso. Lane, Kueng e Thao são acusados de serem cúmplices do crime.

Todos os quatro foram demitidos.

A defesa de Chauvin não quis comentar nesta quarta-feira.

De acordo com a petição protocolada pelo advogado de Lane, Earl Gray, o policial perguntou duas vezes se Floyd deveria ser rolado de lado. Chauvin, o policial instrutor e veterano de 20 anos na força, disse a Lane para mantê-lo onde estava até que a ambulância chegasse, diz o texto. Lane foi assegurado por Chauvin que Floyd estava bem e Lane não viu nenhuma "intenção visível de ferir".

Gray diz na petição que seu cliente não estava ciente de que Chauvin estava cometendo um crime enquanto eles dominavam Floyd. O advogado disse que a decisão de dominá-lo foi justificada razoavelmente, diz a petição.

(Texto traduzido, leia o original em inglês)