Processo que investiga Netanyahu por corrupção é retomado em meio a protestos

Israelenses foram às ruas pelo suposto envolvimento do premiê com ilegalidades e pela forma como vem lidando com a crise de Covid-19 no país

Reuters
19 de julho de 2020 às 05:59
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu
Foto: Reprodução - 15.jul.2020 / Reuters

O julgamento do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, será retomado neste domingo (19), após uma pausa de dois meses em meio aos protestos crescentes contra seu suposto envolvimento com corrupção e a forma como vem lidando com a crise do novo coronavírus no país. 

Netanyahu, o primeiro premiê do país a ir a julgamento, não compareceu ao que o porta-voz da acusação disse que seria uma discussão técnica.

A presença do líder não foi solicitada na sessão no Tribunal do Distrito de Jerusalém, onde apareceu em maio, na abertura do julgamento, para negar as acusações de suborno, fraude e quebra de confiança.

Netanyahu, de 70 anos, foi indiciado em novembro em casos envolvendo o recebimento de presentes de amigos milionários e por supostamente buscar fazer favores a magnatas da imprensa em troca de uma cobertura favorável nos veículos.

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Depois de conquistar um acordo de coalizão, há três meses, com o centrista Benny Gantz, o principal rival do premiê em três eleições inconclusivas desde abril de 2019, Netanyahu ganhou os holofotes ao ordenar restrições que posteriormente achataram a curva da primeira onda de infecções por Covid-19 no país.

Mas, com um aumento acentuado no número de infectados e as altas taxas de desemprego nas últimas semanas, os israelenses tomaram as ruas em protestos quase diários contra o premiê, que ainda lidava com a raiva do público agravada pelas acusações de corrupção.

Nesse sábado (18), a polícia usou canhões de água para dispersar os manifestantes que estavam próximos à residência de Netanyahu em Jerusalém. Em Tel Aviv, milhares de pessoas se reuniram para exigir melhores auxílios estatais às empresas prejudicadas pela crise da saúde.

As acusações de suborno podem levar a uma sentença de até dez anos de prisão e/ou multa. Fraude e quebra de confiança têm pena de prisão de até três anos em Israel.