Por vacina da Covid-19, China emprestará US$ 1 bilhão a América Latina e Caribe

Desde o início da pandemia, a China tem usado seu poder industrial e médico como ferramenta de projeção diplomática

Luiz Raatz, da CNN em São Paulo
23 de julho de 2020 às 17:20 | Atualizado 24 de julho de 2020 às 10:40

O governo chinês anunciou em uma reunião de cúpula virtual com líderes da América Latina e Caribe um a linha de crédito de US$ 1 bilhão para que a região tenha acesso à vacina da Covid-19. O anúncio foi feito pela chancelaria chinesa nesta quarta-feira (22), em parceria com o Ministério de Relações Exteriores do México.

"O ministro das Relações Exteriores da China disse que a vacina desenvolvida em seu país será um benefício público de acesso universal e que seu país designará um empréstimo de 1 bilhão de dólares para apoiar o acesso [à vacina] para os países da região", diz a declaração.

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Desde o início da pandemia, a China tem usado seu poder industrial e médico como ferramenta de projeção diplomática, primeiro com a doação de equipamentos de proteção individual e máscaras e, nos últimos meses, com parcerias para a pesquisa e produção de vacinas.

No Brasil, por exemplo, um laboratório chinês participa de um estudo para a produção da vacina Coronavac, em parceria com o governo do estado de São Paulo. No começo do surto, Pequim enviou 960 toneladas de insumos médicos ao país.

A América Latina, em especial, é um foco do interesse chinês, que há anos compra commodities da região e destina ao continente parte de sua produção industrial. No novo front das relações geopolíticas chinesas com o continente, está a construção da rede de tecnologia 5G, desenvolvida pela Huawei, que enfrenta resistência do governo dos Estados Unidos.

A região se tornou recentemente um dos epicentros da pandemia no mundo. A situação é particularmente grave no Brasil, México, Peru e Chile.