Secretário de Estado dos EUA coloca em xeque décadas de relações com a China


Da CNN, em São Paulo
23 de julho de 2020 às 22:38 | Atualizado 23 de julho de 2020 às 22:56

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, fez nesta quinta-feira (23) um duro discurso com críticas à China, colocando em xeque quase cinco décadas de relações diplomáticas e comerciais iniciadas com uma reaproximação ocorrida ainda no período da Guerra Fria.

O discurso de Pompeo ocorre no momento em que autoridades americanas investigam supostas atividades de espionagem da China em território americano, com Washington inclusive decretando o fechamento de um consulado chinês nos EUA.

Em um discurso na Biblioteca Nixon, na cidade natal do ex-presidente americano Richard Nixon, Pompeo disse que a preocupação do ex-líder de ter criado um "Frankenstein" ao abrir o mundo para a China nos anos 1970 havia sido profética. 

Nixon, que morreu em 1994 e foi presidente entre 1969 e 1974, abriu caminho para relações diplomáticas dos EUA com a China comunista em 1979 fazendo uma série de contatos, incluindo uma visita diplomática a Pequim em 1972.

Segundo Pompeo, os EUA e seus aliados precisam usar "maneiras mais criativas e assertivas" para pressionar o Partido Comunista Chinês a mudar sua maneira de ser. 

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Em discurso pouco depois do surpreendente decreto que ordenou o fechamento do consulado chinês em Houston, no Texas, Pompeo repetiu acusações frequentes dos EUA sobre práticas comerciais chinesas injustas, abusos de direitos humanos, e esforços para infiltrar a sociedade norte-americana.

Pompeo afirmou que o Exército chinês havia se tornado "mais forte e mais ameaçador", e que a abordagem em relação à China deveria ser "desconfiar e verificar", adaptando o mantra do ex-presidente Ronald Reagan de "confiar, mas verificar" sobre a União Soviética nos anos 1980. 

"O tipo de engajamento que estávamos buscando não trouxe o tipo de mudança na China que o presidente Richard Nixon esperava induzir", disse Pompeo. "A verdade é que nossas políticas - e as de outras nações livres - ressuscitaram a economia fracassada da China apenas para que Pequim mordesse as mãos internacionais que a estavam alimentando."

FBI interroga chineses

O FBI interrogou detentores de vistos de pesquisa nos Estados Unidos em mais de 25 cidades norte-americanas suspeitos de serem membros disfarçados das Forças Armadas da China, informou o Departamento de Justiça dos EUA nesta quinta-feira.

O departamento afirmou que três cidadãos chineses foram presos por fraudes em vistos, enquanto um quarto continua foragido, se abrigando no consulado chinês em San Francisco. Os EUA acreditam que os quatro sejam membros do Exército da China infiltrados como pesquisadores. 

“Em entrevistas com membros do Exército de Libertação do Povo Chinês em 25 cidades dos Estados Unidos, o FBI revelou uma iniciativa orquestrada de esconder sua verdadeira filiação para tirar vantagens dos Estados Unidos e do povo americano", afirmou John Brown, diretor-assistente executivo do braço de segurança nacional do FBI, em nota. 

Decisões de tribunais dos EUA mostram que o FBI acreditava que o consulado chinês em San Francisco estaria abrigando um fugitivo desde o final de junho. As autoridades policiais americanas não podem adentrar em embaixadas ou consulados estrangeiros a não ser que sejam convidadas, e alguns oficiais, como embaixadores, por exemplo, possuem imunidade diplomática.

(Com informações da Reuters)