Gates vê vacina no horizonte e defende preparação para futuras pandemias


Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
24 de julho de 2020 às 05:00 | Atualizado 24 de julho de 2020 às 05:54
Bill Gates

O filantropo americano Bill Gates, em entrevista à CNN

Foto: CNN

O filantropo Bill Gates apresentou, em entrevista ao programa especial Coronavírus: Fatos e Medos, da CNN americana, as suas previsões para o futuro da pandemia do novo coronavírus. Ele conversou com o âncora Anderson Cooper e com o médico Sanjay Gupta, correspondente médico chefe da CNN.

Para o fundador da Microsoft, terapias para tratamento da Covid-19 deveriam ter a mesma atenção das vacinas, apostando que as práticas em andamento podem reduzir a mortalidade do vírus e preparar o terreno para uma imunização, que ele projeta para o primeiro semestre de 2021.

"Eu acredito que as terapias são atualmente a mais promissoras mas não tão discutidas quanto as vacinas, porque se você tiver múltiplos tratamentos que, entre eles, estejam reduzindo a taxa de mortalidade e a quantidade de doentes graves acima de 80%, talvez até mais de 90%, então isso reduz o peso desse fardo horrível", disse.

Bill Gates anunciou em fevereiro que a fundação que conduz ao lado da esposa, Melinda, disponibilizaria US$ 100 milhões para conter o surto do novo coronavírus no mundo, financiando diversos esforços, entre eles o de vacinas.

A respeito da imunização, o filantropo levantou algumas ponderações, no entanto. Para Gates, uma vacina eficaz para a Covid-19 deve necessitar de mais de uma dose para ser eficaz. Ele também comentou que as primeiras vacinas a serem aprovadas podem ser úteis em patamares mais baixos de eficácia.

"Portanto, há muita incerteza no empreendimento da vacina. Isso é difícil de explicar, vocês sabem, quando as pessoas gostariam de resumir apenas que o milagre da vacina está à caminho", argumentou.

Pandemias

Bill Gates fez seu alerta para o que acredita que podem ser várias pandemias no futuro. Para o filantropo, o mundo deve estar preparado para ampliar a sua capacidade de testagem e identificar mais rápido os portadores de novos vírus.

"Nós vamos investir -- e eu estou ciente que o governo dos Estados Unidos e outros governos também vão -- em ter plataformas de vacina que nos permitam alcançar resultados muito mais rápidos. Entretanto, da próxima vez nós teremos que estar aptos a ampliar a nossa escala de diagnósticos para ser dez vezes mais rápido do que foi dessa vez", adverte.

Para Gates, é "triste" que tudo isso tenha que ter acontecido para a humanidade entenda a importância de estar preparado para situações como essa.

"É triste que foi necessário haver todas essas mortes, todo esse sofrimento econômico, toda essa divisão que nós ainda não sabemos quão rapidamente acabará, mas está estabelecida uma prioridade e o potencial para resolver essas coisas", disse. "Esse é exatamente o tipo de coisa que nos poderíamos ter parado antes de ter feito um dano significativo."

Estados Unidos

Bill Gates diz ser "profundamente perturbadora" a taxa de infecção que vigora hoje nos Estados Unidos. Segundo ele, os números são preocupantes principalmente quando se considera que nos EUA hoje é verão e a transmissão em tese é mais lenta. "As coisas estão definitivamente na parte mais pessimista do que prevíamos há quatro semanas atrás".

Assista e leia também:

Por que o álcool em gel ficou grudento desde o início da pandemia de Covid-19?

Muitas pessoas perderam o olfato com o novo coronavírus. Será que ele volta?

Será que certos tipos sanguíneos nos tornam mais vulneráveis à Covid-19?

Para o filantropo, os americanos deveriam estar reduzindo e não retomando as aglomerações de pessoas. "Certamente, há atividades em que o benefício que elas trazem versus o risco de infecção que trazem significa que elas provavelmente não deveriam ser permitidas pelo resto do ano e até os números estarem bem abaixo", disse. Ir a bares é uma dessas atividades, diz.

O fundador da Microsoft manifestou preocupação sobre a posição do governo americano favorável à reabertura das escolas.

"O problema real acontece quando a infecção acontece ligada a uma pessoa mais velha. Então, se o professor tiver mais de 65 anos, se aquela criança viver em uma casa multigeracional, em que não é fácil separar os menores dos mais velhos, essa é parte do que cria o risco real", disse Gates à CNN

"Agora, nós teremos um grande benefício em ter essas crianças na escola, então isso vai requerer alguma análise. Há várias opções como ter metade das crianças em uma semana e a outra metade na outra semana assim dá para espaçar. Há opções a serem testadas", disse.