Cientista chinesa é detida após se refugiar em consulado em São Francisco

Juan Tang foi acusada de fraude em seu visto. Segundo autoridades americanas, cientista teria alegado falsamente não ter servido ao Exército chinês

David Brunnstrom, Daphne Psaledakis e Jane Lanhee Lee, da Reuters
25 de julho de 2020 às 02:20 | Atualizado 25 de julho de 2020 às 02:25
Cientista chinesa foi acusada de roubar informações americanas 
Foto: Jason Lee/Reuters

Uma pesquisadora chinesa que se refugiou das autoridades dos EUA no consulado da China em São Francisco está agora sob custódia e deve comparecer a um tribunal na segunda-feira, disseram funcionários do Departamento de Justiça dos EUA.

Juan Tang foi acusada de fraude em seu visto em 26 de junho. A cientista, que trabalhou na Universidade da Califórnia, teria alegado falsamente não ter servido nas forças armadas chinesas. 

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A embaixada chinesa não respondeu a um pedido de comentário sobre o caso.

Uma importante autoridade do Departamento de Justiça disse a repórteres que Tang foi detida na noite de quinta-feira e não tinha imunidade diplomática, pois não foi declarada oficial da diplomacia chinesa.

O funcionário disse que Tang fazia parte de uma rede de associados que ocultaram sua afiliação militar ao solicitar vistos.

Lauren Horwood, porta-voz da Procuradoria dos EUA no Distrito Leste da Califórnia, disse em um e-mail que Tang comparecerá ao tribunal na segunda-feira em Sacramento. Anteriormente, um funcionário disse que a aparição inicial de Tang estava marcada para sexta-feira.

A detenção da pesquisadora ocorre em meio a uma deterioração das relações EUA-China. Na sexta-feira, a China ordenou que os Estados Unidos fechassem seu consulado em Chengdu em resposta a uma ordem dos EUA de que a China fechasse seu consulado em Houston.

De acordo com os arquivos da Justiça americana, Tang foi acusada em 26 de junho de fraude em seu visto. Os promotores disseram que ela ocultou sua conexão com as Forças Armadas chinesas quando realizou seu pedido, mas os investigadores "descobriram fotos dela com o uniforme do quadro civil do Exército de Libertação do Povo da China (PLA)" e que ela trabalhava como pesquisadora na Quarta Universidade Médica Militar (FMMU).

Acusação de roubo de informações

Durante uma entrevista com agentes do FBI em 20 de junho, "Tang negou servir às Forças Armadas chinesas, alegou que não sabia o significado das insígnias em seu uniforme e que era necessário o uso de uniforme militar para comparecer à FMMU, porque era militar", escreveram os advogados em um processo judicial.

No entanto, durante uma busca em sua residência e na mídia eletrônica, os agentes do FBI supostamente "encontraram mais evidências da afiliação do Tang ao PLA".

Na denúncia criminal, que nomeia vários outros cientistas chineses nos EUA, os promotores alegam que fazem parte de um "programa conduzido pelo PLA - e especificamente pela FMMU ou instituições associadas - para enviar cientistas militares aos Estados Unidos sob pretextos falsos, com declarações falsas sobre seu verdadeiro emprego ".

"Existe evidência em pelo menos um desses casos de um cientista militar copiando ou roubando informações de instituições americanas sob a direção de superiores militares na China", disseram os promotores. "Além disso, existem evidências de que o governo chinês instruiu esses indivíduos a destruir evidências e coordenou os esforços em relação à saída desses indivíduos dos Estados Unidos, principalmente após as acusações contra Xin Wang neste distrito em 7 de junho de 2020".

No mês passado, Wang foi preso no Aeroporto Internacional de Los Angeles, tentando deixar os Estados Unidos para Tianjin, China, e foi acusado de fraude de visto.

Comentando a prisão de Wang, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, chamou de "perseguição política flagrante".

"Até onde eu sei, Wang Xin faz pesquisas no campo de doenças cardiovasculares. Não vejo como isso possa ameaçar o interesse ou a segurança nacional dos EUA", disse ela, acrescentando que "recentemente muitos cidadãos chineses foram interrogados por um longo período de tempo". pelas autoridades americanas ao deixarem os EUA, e os dispositivos digitais que eles carregavam também foram examinados ".

(Com informaçóes de James Griffiths, da CNN)