Apontando interferência da China em Hong Kong, Nova Zelândia suspende tratado

"Não podemos mais confiar que o sistema criminal de Hong Kong seja suficientemente independente da China", disse ministro ao suspender tratado de extradição

Praveen Menon, da Reuters
28 de julho de 2020 às 04:47 | Atualizado 28 de julho de 2020 às 04:54
Policial atira com bala de borracha contra manifestantes em Hong Kong
Foto: Thomas Peter -14.ago.2019/Reuters

A Nova Zelândia suspendeu seu tratado de extradição com Hong Kong e fez várias outras mudanças após a decisão da China de aprovar uma lei de segurança nacional para o território, disse nesta terça-feira (28) o ministro de Relações Exteriores neozelandês, Winston Peters.

"A Nova Zelândia não pode mais confiar que o sistema de justiça criminal de Hong Kong seja suficientemente independente da China", disse Peters em comunicado.

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"Se, no futuro, a China mostrar aderência à estrutura de 'um país, dois sistemas', poderíamos reconsiderar essa decisão".

Pequim impôs nova legislação à ex-colônia britânica no início deste mês, apesar dos protestos dos residentes de Hong Kong e dos países ocidentais, colocando o centro financeiro em um caminho mais autoritário.

Austrália, Canadá e Reino Unido suspenderam tratados de extradição com Hong Kong no início deste mês. O presidente dos EUA, Donald Trump, encerrou o tratamento econômico preferencial para Hong Kong.

Peters disse que a Nova Zelândia tratará as exportações de bens e tecnologias militares e de uso duplo para Hong Kong da mesma maneira que trata essas exportações para a China como parte de uma revisão de seu relacionamento geral com Hong Kong.

Os conselhos de viagem foram atualizados para alertar os neozelandeses sobre os riscos apresentados pela nova lei de segurança, acrescentou.

Em uma declaração no site, a embaixada chinesa na Nova Zelândia considerou a decisão uma violação do direito internacional e uma grande interferência nos assuntos internos da China.

"O lado chinês apresentou sua grave preocupação e forte oposição", disse um representante da embaixada no comunicado.

A China é o maior parceiro comercial da Nova Zelândia, com comércio bilateral anual superior a NZ$ 32 bilhões (cerca de US$ 21 bilhões).

Os laços da Nova Zelândia com a China se desgastaram recentemente depois que o país pacífico apoiou a participação de Taiwan na Organização Mundial da Saúde (OMS).