Quase 3 bilhões de animais foram afetados por incêndios na Austrália, diz estudo

Relatório divulgado pela WWF aponta que 143 milhões de mamíferos, 2,46 bilhões de répteis, 180 milhões de aves e 51 milhões de sapos foram atingidos diretamente

Fabricio Julião, da CNN, em São Paulo
28 de julho de 2020 às 09:48
Coala caminha entre arbustos em chamas na Austrália
Coala caminha entre árvores e arbustos em chamas na Austrália
Foto: Arquivo - 19.nov.219/ Reuters

Quase três bilhões de animais morreram ou foram deslocados pelos incêndios florestais que ocorreram na Austrália entre 2019 e 2020. De acordo com o World Wide Fund for Nature (WWF), 143 milhões de mamíferos, 2,46 bilhões de répteis, 180 milhões de aves e 51 milhões de sapos foram atingidos diretamente.

Os números são aproximadamente três vezes maiores do que os divulgados por uma pesquisa anterior, publicada em janeiro. Eles fazem parte do relatório da WWF "Incêndios florestais na Austrália 2019-2020: o número de mortos da vida selvagem". 

O projeto, liderado pela Dra. Lily Van Eeden e supervisionado pelo professor Chris Dickman, ambos da Universidade de Sydney, ainda está em andamento. No entanto, os cientistas acreditam ser improvável que a cifra de quase 3 bilhões de animais afetados seja alterada. 

“As conclusões provisórias são chocantes. É difícil pensar em outro evento em qualquer lugar do mundo de que temos memória que matou ou deslocou tantos animais. Isso é considerado um dos piores desastres da vida selvagem da história moderna ”, disse Dermot O'Gorman, CEO da WWF-Austrália.

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Dickman afirmou que as chances de sobrevivência de animais que escaparam das chamas não são grandes, devido a falta de comida e abrigo ou por serem forçados a habitarem áreas já ocupadas.

"Quando vemos que três bilhões de animais nativos estão no caminho dos incêndios, entendemos que é um número absolutamente enorme, difícil de compreender", disse o professor. 

Em janeiro deste ano, Dickman e outros cientistas chegaram a uma estimativa inicial de que 1,25 bilhão animais haviam sido impactados pelas chamas. No entanto, o estudo se concentrou apenas nos estados australianos de Nova Gales do Sul e Victoria. 

Os cientistas esperam que o relatório final seja concluído e divulgado até o fim de agosto.