'Covid-19 não é a nossa preocupação: as pessoas querem o que comer', diz libanês

Em entrevista à CNN, Jad Hattouni, filho de brasileiros, afirma que diante da falta de alimentos e moradia, a pandemia se tornou problema secundário no país

da CNN
09 de agosto de 2020 às 14:16 | Atualizado 09 de agosto de 2020 às 14:21

Manifestantes libaneses tomaram, pelo segundo dia consecutivo, as ruas de Beirute, capital do Líbano, para demonstrar a insatisfação com o atual governo e a grave crise econômica em que o país se encontra. Para o libanês Jad Hattouni, filho de brasileiros e que mora em Beirute, a pandemia se tornou um problema secundário para a população, diante da grave crise político-econômica do país.

"As pessoas não estão se preocupando com a Covid-19. A pademia se tornou um problema mínimo para nós, porque a poppulação está procurando onde morar, o que comer e, também, em busca da liberdade", afirmou o jovem à CNN. "Liberdade de expressão, liberdade para andar, pois o Hezbollah não permite que os cristãos andem por determinados pontos do país", declara. 

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Hattouni relembrou, também, da reunião virtual realizada no início da manhã deste domingo pelo presidente francês Emmanuel Macron, juntamente com líderes globais, como o próprio presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. Ao longo da reunião, Macron afirmou que é preciso "agir rápido para ajudar o Líbano", além de propor um prazo para que o governo local dê um direcionamento para conter a crise. 

"Os protestos de hoje querem mostrar que o povo está machucado e nervoso. A população não aguenta mais a negligência da polícia e do governo", disse Hattouni. "Sabemos que agora o Líbano vai sofrer mais, mas depois disso vamos alcançar nosso objetivo que é tirar os políticos corruptos do poder e encontrar uma nova liderança", completa. 

Entenda o caso

Milhares de libaneses tomam as ruas da capital Beirute desde o último sábado (8), em protesto à grave crise político-econômica pela qual passa o país, pedindo a renúncia do governo e do parlamento. O estopim para a reação dos manifestantes foram as explosões que deixaram mais de 150 mortos e mais de 6 mil feridos na última terça-feira (4) na região portuária da capital libanesa.

O país vive uma de suas piores crises econômicas da história recente. Isso porque um terço da população vivia abaixo da linha da pobreza no ano passado, segundo estimativa do Banco Mundial. Além disso, o Produto Interno Bruto do país deve recuar 12% neste ano, seguindo uma retração de 6,5% no último ano, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Ontem, ao menos 7 mil pessoas protestaram na capital do Líbano. Manifestantes invadiram o Ministério de Relações Exteriores e pelo menos 100 pessoas ficaram feridas

(Edição: Paula Bezerra)