Milhares protestam em Belarus, e presidente promove manifestação pró-governo

Os protestos acontecem depois da reeleição de Alexander Lukashenko no domingo passado, que teve os resultados questionados pela falta de transparência

Mary Ilyushina and Rory Sullivan, da CNN
16 de agosto de 2020 às 17:14
Manifestante protesta contra resultado de eleição presidencial em Belarus
Foto: Vasily Fedosenko -13.ago.2020/ Reuters

Uma multidão de manifestantes se reuniu em Minsk, capital de Belarus, ao mesmo tempo em que o presidente Alexander Lukashenko partiicipava de manifestações menores também na cidade. 

Os protestos seguem a questionada vitória do líder de longa data nas eleições do domingo passado, criticadas por analistas independentes por não terem sido livres e justas. 

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Embora não tenha havido contagem oficial, a equipe da CNN na cidade estimou que cerca de 50 mil pessoas estavam presentes nos protestos por volta das 15h do horário local.  

Enquanto isso, Lukashenko, que comanda Belarus há 26 anos, fazia um discurso para apoiadores a algumas quadras dali.  

A equipe da CNN estima que menos de 10 mil pessoas estavam presentes na manifestação pró-governo, bem menos que o número de 65 mil mencionado pelo Ministério do Interior do país. 

A reportagem viu mais cedo grupos de pessoas sendo levados de ônibus para o centro da cidade, antes das manifestações de apoio a Lukashenko. 

Milhares de pessoas foram detidas durante os protestos contra o governo nas últimas semanas, depois que a líder da oposição, Svetlana Tikhanovskaya, fugiu do país para a Lituânia

Otan nega escalada militar

Em discurso a seus apoiadores, Lukashenko alegou que o país está sendo ameaçado por interferências estrangeiras.  

“Há um aumento das forças militares nas fronteiras ocidentais do nosso país. Lituânia, Polônia e Ucrânia estão nos mandando fazer novas eleições. Se dermos atenção a eles, perdemos força”, disse.  

Uma porta voz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), entretanto, disse à CNN que não há incremento militar acontecendo na região.  

Oana Lugescu disse que a Otan está monitorando a situação de perto e que o governo de Lukashenko deve respeitar “liberdades fundamentais” como o direito a protestos pacíficos.  

“Não há cerco da Otan na região. A presença multinacional da Otan na parte ocidental da aliança não é uma ameaça ao país. É um movimento meramente defensivo, para prevenir conflitos e preservar a paz”, disse ela.  

As declarações de Lungescu vieram depois que o Ministério da Defesa de Belarus anunciou que irá realizar exercícios de treinamento de combate entre 17 e 20 de agosto. 

Entre as atividades, as equipes devem "resolver as questões de reforço das fronteira do Estado", disse o comunicado do ministério. 

Os exercícios serão realizados perto de Astravets, na região de Grodno, no noroeste de Belarus, que faz fronteira com a Lituânia e a Polônia. 

Apoio aos manifestantes 

No início desta semana, alguns membros da guarda de segurança de Belarus largou os escudos em Minsk e receberam abraços de manifestantes antigoverno. 

No fim de semana, o embaixador de Belarus na Eslováquia também expressou solidariedade aos manifestantes da oposição, dizendo que está chocado com as notícias de que cidadãos foram espancados e torturados. 

Em um vídeo postado pelo jornal bielorrusso Nasha Niva, exatamente uma semana depois das eleições do país, Igor Leshenya disse: “Como todos os bielorrussos, estou chocado com as histórias de tortura e espancamento dos nossos cidadãos.” 

O embaixador disse ainda que viu um dos colegas de sua filha em uma foto “com sangue e machucados” na internet, e acrescentou que ele “definitivamente nunca foi um desordeiro”. 

Ainda no vídeo, Leshenya declarou sua solidariedade àqueles que participaram de protestos pacíficos e pediu que Belarus tenha uma representatividade política mais ampla no futuro. 

A CNN não conseguiu contato com a embaixada da Belarus na Eslováquia para comentar as declarações.