Em meio a protestos, líder de Belarus diz que não haverá eleições até sua morte

Manifestantes dizem que reeleição de Alexander Lukashenko, no poder há 26 anos, foi fraudada

da CNN
17 de agosto de 2020 às 19:38 | Atualizado 17 de agosto de 2020 às 23:03

O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, declarou nesta segunda-feira (17) que o país não terá novas eleições "até que me matem". A afirmação foi feita em visita a uma fábrica na capital Minsk, onde recebeu vaias e gritos pedindo sua saída. 

"Vocês falam sobre eleições desonestas e querem uma nova eleição", disse ele. "Minha resposta a isso —nós já tivemos eleições, e até que me matem, não haverá nenhuma nova eleição". 

Lukashenko enfrenta o maior desafio em seus 26 anos no poder, com protestos, greves em massa e risco de sanções da União Europeia desde a repressão sangrenta de protestos contra o que os manifestantes chamam de eleição fraudulenta. 

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Foto: Stringer/Reuters (16.ago.2020)

Nos resultados oficiais, o atual líder recebeu mais de 80% dos votos no pleito, que aconteceu no último dia 9. A candidata da oposição, Svetlana Tikhanovskaya, disse mais cedo estar pronta para assumir o cargo e pacificar o país. Ela está exilada na Lituânia.

Lukashenko disse estar disposto a compartilhar o poder e mudar a Constituição, mas que não o faria sob pressão das ruas. 

"Submeteremos as mudanças a um referendo, e cederei meus poderes constitucionais. Mas não sob pressão ou por causa da rua", afirmou. "Não sou santo. Vocês conhecem meu lado duro. Não sou eterno. Mas se vocês arrastarem o primeiro presidente, arrastarão países vizinhos e todo o resto."

Na manhã desta segunda, os bielorrussos ligaram a televisão e assistiram a mesas vazias e reprises. Funcionários dos canais estatais fizeram um protesto em solidariedade aos manifestantes e contra a censura à imprensa. A mídia estatal em Belarus era vista como uma das principais ferramentas de propaganda de Lukashenko. 

(Com informações da CNN Internacional e Reuters)