EUA suspendem tratado de extradição com Hong Kong por preocupações com autonomia

Governo americano alega que a nova lei de segurança nacional do governo chinês esteja minando a autonomia da cidade.

Ben Westcott, da CNN
20 de agosto de 2020 às 04:04 | Atualizado 20 de agosto de 2020 às 04:05
Policial atira com bala de borracha contra manifestantes em Hong Kong
Foto: Thomas Peter -14.ago.2019/Reuters

O governo dos Estados Unidos suspendeu oficialmente seu tratado de extradição com Hong Kong alegando preocupações de que a nova lei de segurança nacional do governo chinês esteja minando a autonomia da cidade.

Em um comunicado divulgado quarta-feira (19), o Departamento de Estado dos EUA anunciou que Washington suspenderia ou eliminaria três tratados com a ex-colônia britânica, incluindo "a entrega de infratores fugitivos, a transferência de pessoas condenadas e isenções recíprocas de impostos sobre a renda".

Leia também:
Opositor de Putin, Alexei Navalny é internado com suspeita de envenenamento

O governo dos EUA acusou Pequim de minar "o alto grau de autonomia que (o governo chinês) prometeu ao Reino Unido e ao povo de Hong Kong por 50 anos sob a Declaração Conjunta Sino-Britânica registrada na ONU".

Em seu Twitter, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse que os acordos foram suspensos porque o Partido Comunista Chinês, no poder, decidiu "esmagar a liberdade e a autonomia do povo de Hong Kong".

Desde sua transferência do Reino Unido para a China em 1997, Hong Kong tem desfrutado de um status especial de comércio e segurança com os Estados Unidos, devido ao alto grau de autonomia do centro financeiro em relação a Pequim.

Mas no final de junho, após meses de protestos pró-democracia generalizados e apelos por maior autonomia dentro da cidade, o governo chinês impôs uma nova lei de segurança nacional estrita em Hong Kong, criminalizando a secessão, subversão, terrorismo e interferência estrangeira.

Os críticos, incluindo o governo dos Estados Unidos, afirmam que a nova lei teve um grande efeito negativo sobre as liberdades civis da cidade e mina profundamente a liberdade de expressão e de imprensa.

Em 14 de julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva para encerrar o status comercial especial de Hong Kong com os EUA em resposta à lei de segurança nacional de Pequim.

"Hong Kong agora será tratado da mesma forma que a China continental. Sem privilégios especiais. Sem tratamento econômico especial e sem exportação de tecnologias sensíveis", disse ele.

Os Estados Unidos são o último país a suspender seu tratado de extradição com Hong Kong após a aprovação da nova lei de segurança. Canadá, Austrália, França, Alemanha e Reino Unido suspenderam seus acordos de extradição com a cidade desde que a lei foi aprovada.

O governo chinês acusou os países ocidentais de "interferir grosseiramente nos assuntos internos da China e (violar seriamente) a lei internacional".