Ex-assessor de Trump, Steve Bannon é preso por fraude e lavagem de dinheiro

Departamento de Justiça dos EUA diz que ele e outras três pessoas teriam usado dinheiro da campanha 'We Build The Wall' para financiar despesas pessoais

Leonardo Lopes* e Henrique Andrade*, da CNN em São Paulo
20 de agosto de 2020 às 11:33 | Atualizado 20 de agosto de 2020 às 13:29

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou e prendeu, nesta quinta-feira (20), o empresário e ex-assessor de Donald Trump, Steve Bannon, por fraude e lavagem de dinheiro. A denúncia envolve a campanha de arrecadação de fundos para construção de um muro na fronteira EUA/México, promessa de Trump na corrida eleitoral de 2016.

Uma fonte contou à CNN americana que Bannon foi preso pela manhã em um barco na costa Leste dos EUA, no estado de Connecticut. Além de Bannon, Brian Kolfage, fundador da campanha "We Build The Wall" (Nós Construímos o Muro), e outras duas pessoas enfrentam as mesmas acusações. Todos aparecerão diante da Corte americana nesta quinta-feira. O caso será processado pelo FBI.

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As oitivas serão feitas virtualmente por conta da pandemia de Covid-19. A audiência inicial geralmente possui duração curta, e negociará os termos da soltura dos acusados.

Horas após a prisão, Trump afirmou para repórteres no salão oval da Casa Branca "não saber nada" sobre a campanha de financiamento que está no centro da acusação. "Eu não gostei daquele projeto. Eu me sinto mal. Não tenho contato com ele há tempos. É uma coisa muito triste, é surpreendente", finalizou.

O advogado de Bannon foi procurado pela CNN Internacional, mas não respondeu. A diretora de Comunicação Estratégica da Casa Branca, Alyssa Farah, se recusou a comentar alegando que é um assunto exclusivo do Departamento de Justiça.

A promotora de Nova York, Audrey Strauss, comunicou em nota que os réus capitalizaram em cima dos interesses dos doadores sob o falso pretexto de que todo o dinheiro seria gasto na construção do muro.

"Enquanto assegurava repetidamente aos doadores que Brian Kolfage, o fundador e rosto público da “We Build The Wall”, não receberia um centavo, os réus secretamente esquematizaram um repasse de centenas de milhares de dólares para Kolfage, que ele usou para financiar seu estilo de vida luxuoso", afirmou a promotora. A investigação foi feita em colaboração com o Serviço de Inspeção Postal dos Estados Unidos (USPIS).

Steve Bannon, ex-assessor de Donald Trump, foi preso nesta quinta-feira por fraude e lavagem de dinheiro
Foto: Reuters

Doações

A organização de Kolfage, “We Build The Wall”, recebeu doações de mais de 500 mil pessoas, e arrecadou mais de US$ 25 milhões (cerca de R$ 140 milhões) para a construção do muro.

Além disso, de acordo com o processo, Steve Bannon recebeu mais de US$ 1 milhão através de sua organização sem fins lucrativos, nomeada "Non-Profit-1". O ex-assessor de Trump teria usado parte dos recursos para financiar despesas pessoais.

Os crimes de fraude através de meios eletrônicos e lavagem de dinheiro podem acarretar em penas de até no máximo 20 anos cada.

"Na acusação, os promotores falam sobre como os réus têm faturas falsas e acordos com fornecedores falsos. Isso indica que eles estão com esses documentos. Dado o tamanho da fraude nesse caso, Steve Bannon está com muitos problemas. Ele pode ficar preso por muitos anos se for condenado", comentou o analista jurídico da CNN Internacional, Elie Honig.

Quem é Steve Bannon?

Ex-assessor de Donald Trump, Steve Bannon se envolveu com a campanha do então candidato em 2016. Ele foi um dos principais responsáveis pela estrutura que elegeu o atual presidente dos Estados Unidos.

O escritor Michael Wolff escreveu em seu livro "Fogo e Fúria" que Bannon participou de uma importante reunião entre funcionários da campanha e um advogado russo. No encontro, que teria acontecido em 2016 na Trump Tower, foram repassadas informações sobre Hillary Clinton com potencial de prejudicar a candidatura da democrata.

Após a eleição, Bannon foi nomeado como estrategista-chefe e se tornou um dos mais polêmicos membros do governo. Ele era visto geralmente como a força motriz por trás da ideologia "America First". Foi demitido sete meses após assumir o cargo.

Além disso, Bannon também já serviu como oficial da Marinha, trabalhou como banqueiro de investimentos no Goldman Sachs e foi presidente-executivo do site de notícias de extrema-direita Breitbart News.

(*Sob supervisão de Giovanna Bronze)