Steve Bannon diz que prisão e acusação por fraude são 'ataques políticos'

Ex-assessor diz que objetivo da campanha é desestimular militantes favoráveis à construção de um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México

Veronica Stracqualursi, da CNN
22 de agosto de 2020 às 00:06 | Atualizado 22 de agosto de 2020 às 00:42
Steve Bannon, ex-assessor de Donald Trump, foi preso nesta quinta-feira por fraude e lavagem de dinheiro
Foto: Reuters

O empresário Steve Bannon, ex-assessor do presidente Donald Trump, classificou nesta sexta-feira (21) a sua prisão como "um trabalho de ataque político" e jurou combater a acusação de fraude na campanha de arrecadação que organizou, para supostamente construir um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México.

"Eu não vou voltar através. Esse foi um trabalho de ataque político", disse Bannon em seu podcast conservador, War Room (Sala de Guerra, na tradução literal do inglês). "Todos sabem que eu adoro uma briga."

Bannon afirmou que a sua prisão era "para parar e intimidar pessoas" de apoiarem Trump a construir o muro na fronteira sul dos Estados Unidos.

"Eu estou nisso para o longo prazo. Eu estou nisso para lutar. E eu vou continuar a lutar", disse o ex-assessor do presidente americano.

Steve Bannon e outras três pessoas foram indiciadas na quinta-feira (20) acusadas de usar centenas de milhares de dólares arrecadados na campanha "We Build the Wall" ('Nós construímos o muro', em inglês) em gastos pessoais, entre outras coisas.

Bannon e outro acusado, Brian Kolfage, prometeram aos doadores que a campanha -- que arrecadou mais de US$ 25 milhões -- usaria 100% desses fundos para a ajudar a construir o muro na fronteira, segundo o indiciamento.

Em vez disso, segundo os promotores, ele usou mais de US$ 1 milhão da arrecadação para "secretamente" pagar Kolfage e cobrir centenas de milhares de dólares em despesas pessoais.

O ex-assessor do presidente Donald Trump foi também acusado de conspirar para cometer fraude financeira eletrônica e outra a fim de cometer lavagem de dinheiro. Ele alegou inocência. Nesta sexta, afirmou aos ouvintes do podcast que as acusações contra ele são "nonsense".

Kolfage disse à CNN que o indiciamento entendeu as coisas errado.

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"Eles juntaram todas as compras que eu fiz nos últimos dois anos no indiciamento, mesmo antes [do We Build the Wall], não levando em conta que eu tenho outras fontes de renda para pagar por coisas", disse em um e-mail enviado nesta sexta-feira.

Kolfage afirmou que ele comanda uma operação de dados para campanhas. Ele também disse que apenas comprou um carro de luxo após vender uma Range Rovers que ele havia possuído anteriormente.

Ele acrescentou, "mas é claro que eles não contaram toda a história. Eu investi meu dinheiro sabiamente e posso comprar coisas legais". "Como Bannon disse: 'Isso é um fiasco'", completou. Kolfage não respondeu ao questionamento sobre como ele pretende se definir, inocente ou culpado, diante da Justiça.

(Texto traduzido. Clique aqui e leia o original em inglês)