Trump Jr. associa Biden à China e faz pregação anticomunista em convenção

Filho do presidente defende policiais e diz que vitória de democrata enfraqueceria o combate à criminalidade nos Estados Unidos

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
25 de agosto de 2020 às 00:09 | Atualizado 25 de agosto de 2020 às 00:33

O empresário Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente dos Estados Unidos, discursou nesta segunda-feira (24), durante a primeira noite da Convenção Nacional Republicana, que oficializa a candidatura do pai dele à reeleição.

Trump Jr., que já cogitou publicamente traçar carreira política, fez críticas severas à China e disse que a vitória do adversário, o democrata Joe Biden, permitiria ao regime comunista chinês alcançar o objetivo de "enfraquecer" os Estados Unidos.

"Biden é tão fraco a respeito da China que a inteligência americana descobriu que o Partido Comunista Chinês prefere ele. Eles sabem como nos enfraquecer economicamente e no cenário mundial", afirmou o filho do presidente Donald Trump.

Donald Trump Jr. cita um relatório de William Evanina, diretor de contra-inteligência e responsável pela segurança do pleito, que identificou que o regime chinês torce contra a reeleição do republicano.  Para ele, apenas a campanha republicana pode livrar os EUA "do comunismo e do terrorismo radical islâmico".

No entanto, as menções não tratam de um benefício, mas sim de que a China considera Trump um negociador "imprevisível". O mesmo relatório também traz a informação de que a Rússia, do presidente Vladimir Putin, estaria buscando meios de prejudicar a campanha de Joe Biden.

O empresário defendeu a visão segundo a qual os Estados Unidos vinham em uma situação econômica positiva e só entraram em crise em razão do novo coronavírus, que ele chamou de "cortesia do Partido Comunista Chinês". 

Trump Jr. citou um episódio de janeiro, quando o presidente defendeu a proibição de viagens da China para os Estados Unidos. No mesmo dia, Joe Biden fez discurso chamando Trump de "xenofóbico".

Para o filho do presidente, os democratas "colocaram o politicamente correto acima da segurança do povo americano". Donald Trump Jr. não citou o fato de que Joe Biden negou posteriormente que soubesse das restrições de viagem no momento em que fez o discurso.

Segurança

Outro tema proeminente no discurso do empresário foi a questão da segurança pública. Donald Trump Jr. reiterou o discurso do pai de que Biden seria leniente com a criminalidade caso ele fosse eleito presidente.

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"Tudo começa com a segurança. Sem ela, não há nada", disse, ironizando a postura democrata de classificar como "protestos pacíficos" o que ele vê como manifestações violentas, retomando o debate de dois meses atrás, na esteira dos protestos contra o racismo após a morte de George Floyd.

Trump Jr. defendeu a atuação da polícia, apontando ocorridos como o de Floyd como sendo exceções. "Qualquer abuso policial deve ser punido e todos os policiais concordam comigo", disse. "Mas não podemos esquecer que os policiais são heróis americanos."

As críticas republicanas de que Joe Biden enfraqueceria o combate à criminalidade estão entre as razões que fizeram o democrata escolher a senadora Kamala Harris como a sua candidata a vice-presidente. Harris, primeira mulher negra a concorrer em uma chapa dos grandes partidos americanos, é ex-procuradora-geral da Califórnia, posto em que foi considerada dura nas acusações promovidas.