Da Casa Branca, Trump coloca Biden como perigoso e promete reconstruir economia

Presidente dos Estados Unidos aceita nomeação e é oficialmente candidato à reeleição para mais quatro anos no cargo

Diego Freire e Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
28 de agosto de 2020 às 00:01 | Atualizado 28 de agosto de 2020 às 02:56

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitou formalmente a candidatura à reeleição pelo Partido Republicano nesta quinta-feira (27), quebrando protocolos e discursando dos jardins da Casa Branca, em Washington.

Trump iniciou seu discurso prometendo derrotar a Covid-19 e garantindo que, se for reconduzido a um segundo mandato, seria capaz de "rapidamente" reconstruir a economia americana, em ampla recessão pelos efeitos da pandemia. 

"No nosso novo mandato na Presidência, construíremos novamente a maior economia da história, voltando rapidamente ao emprego total, rendas mais altas e prosperidade", disse o presidente.

Uma das promessas do republicano para alcançar esse objetivo é impor tarifas a empresas americanas que abrirem postos de emprego em outros países.

Donald Trump colocou o adversário, o democrata Joe Biden, como sendo "um perigo" para os Estados Unidos. Ele argumentou que essa é a "eleição mais importante da história" porque não seria uma disputa entre dois partidos, mas refletia sim a necessidade de "salvar" o país de uma ameaça aos seus valores fundamentais.

"Vamos decidir se salvaremos o sonho americano ou se vamos permitir uma agenda socialista", disse Trump, que definiu Biden como "destruidor da grandeza americana" e "destruidor dos empregos americanos".

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Ele repetiu o discurso de quatro anos atrás, de que seus adversários fazem parte do "establishment" e que políticos de carreira que não estariam interessados em promover o bem dos Estados Unidos. 

"Ao invés de colocá-los em primeiro lugar, eu coloquei a América em primeiro lugar. Por 47 anos, Joe Biden usou a doação de operários, os abraçou e os beijou. Disse que sentia a dor deles e voava de volta para Washington para mandar os empregos para a China e outros lugares distantes", criticou.

Apoiadores de Donald Trump em frente à Casa Branca durante discurso do presidente
Foto: CNN/Reprodução (27.ago.2020)

Coronavírus

Trump não deixou passar despercebido que estava falando como candidato no mesmo local onde governa o país. 

Em vários momentos, citou a Casa Branca para fazer menções a presidentes importantes da história do país, como Abraham Lincoln e Franklin Delano Roosevelt, comparando os desafios de outras épocas com um "novo e poderoso inimigo invisível", o coronavírus.

A transmissão oficial promovida pela organização da Convenção Nacional Republicana exibiu imagens em perspectiva da sede do governo americano, o palco em que Trump discursa e a plateia, majoritariamente sem máscaras de proteção individual.

Ele prometeu o desenvolvimento de uma vacina para a Covid-19 "até o final do ano ou até antes". "Nós derrotaremos o vírus e a pandemia e os Estados Unidos serão mais fortes do que nunca", afirmou.

Donald Trump defendeu o seu trabalho durante a crise da pandemia do coronavírus, frequentemente criticado pelos democratas.

Os Estados Unidos são o país com o maior número de casos e de mortes pela Covid-19 no mundo. São 5,8 milhões de casos e 180 mil vítimas fatais da doença.

O presidente afirma que os números dos EUA são altos porque o país tem um alto volume de testagem e que a Casa Branca está sendo bem sucedida em combater a pandemia. Neste momento, pediu que enfermeiros e médicos presentes se levantassem e puxou uma salva de palmas.

Polícia, racismo e religião

Segurança pública é um dos temas centrais da campanha de Donald Trump e do seu candidato a vice-presidente, Mike Pence.

Ao longo de toda a semana, diversos oradores republicanos, Trump e Pence inclusos, fizeram homenagens às forças policiais e acusaram os democratas de pretenderem cortar o orçamento para a segurança e enfraquecer o combate à criminalidade no país.

"O lado mais perigoso do programa de governo de Biden é o ataque à segurança pública", disse o presidente, afirmando que o democrata vai "reduzir o orçamento dos departamentos de polícia por todos os Estados Unidos."

Joe Biden nega que vá retirar dinheiro da segurança pública. Os movimentos de Trump influenciaram a escolha da candidata a vice-presidente democrata, que é a senadora Kamala Harris. 

Kamala é negra e ex-procuradora-geral da Califórnia, sendo considerada dura com a criminalidade.

Desde domingo, a cidade de Kenosha, no Wisconsin, e algumas outras cidades pelos EUA foram palco de protestos após Jacob Blake, um homem negro de 29 anos, ser baleado pela polícia local em uma abordagem violenta.

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Sem citar Blake nem a razão dos protestos em Kenosha, o presidente dos Estados Unidos afirmou que os excessos policiais são exceções, com as quais Joe Biden e o Partido Democrata seriam coniventes.

"Nós temos que lembrar que a imensa maioria dos policiais do nosso país, e é a imensa maioria, são nobres, corajosos e honrados. Nós temos que ter coerção policial, nossa polícia, apoiar o poder deles", disse o presidente.

Donald Trump acenou para eleitores religiosos e à direita abraçando algumas propostas desses grupos, criticando democratas por reduzirem menções a Deus na convenção do partido de Joe Biden.

Ele falou sobre "liberdade de escolha escolar a todas as famílias americanas" e se colocou contra o aborto, que é permitido em parte dos estados americanos. "Todas as crianças, nascidas e não nascidas, têm o direito à vida garantido por Deus", afirmou.