Eleição nos EUA: melhores e piores momentos da 4ª noite da Convenção Republicana

Principal momento da noite foi o discurso de Trump por meio do qual aceitou a indicação do partido para disputar as eleições presidenciais

Chris Cillizza, da CNN
28 de agosto de 2020 às 10:34
Família Trump na última noite da Convenção Nacional Republicana
Foto: Carlos Barria - 27.ago.2020 / Reuters

A Convenção Nacional Republicana dos Estados Unidos chegou ao fim na noite dessa quinta-feira (27), com o presidente Donald Trump fazendo um discurso por meio do qual aceitou a indicação do partido para disputar as eleições presidenciais.

Confira abaixo os melhores e piores momentos da quarta e última noite do evento.

Melhores momentos

Ivanka Trump

Sim, os liberais (e o Twitter) não gostam dela. Mas a filha mais velha do presidente provavelmente também é a única suplente dele. Ivanka teve um toque iluminado, uma grande mudança em relação aos gritos e à fúria de alguns republicanos que discursaram ao longo da convenção.

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Ela também é a única pessoa no país que pode falar com propriedade sobre Trump como pai e presidente. É a única filha dele que trabalha na Casa Branca. E é a única pessoa no país que pode falar isso sobre o presidente: “Reconheço que o estilo de comunicação do meu pai não agrada a todos. E sei que os tuítes dele parecem não passar por um filtro, mas os resultados falam por si só”.

Além disso, segundo Ivanka, ela estava ao lado do pai em praticamente todas as decisões importantes que ele teve que tomar durante o primeiro mandato. 

Medo

Indivíduos se rebelando e saqueando em bairros dos EUA, Estado Islâmico capturando crianças norte-americanas, socialismo em marcha. A última noite da convenção republicana focou em tentar assustar os eleitores que podem estar em cima do muro com relação a Trump.

A mensagem foi clara: as pessoas podem não gostar do que Trump diz (e até de algumas coisas que ele faz), mas a alternativa é o pior pesadelo – caos e colapso da democracia. “Seu voto vai decidir se vamos proteger os norte-americanos que cumprem às leis ou se vamos dar liberdade aos violentos anarquistas, agitadores e criminosos que ameaçam nossos cidadãos”, disse o presidente em seu discurso. 

Por que as táticas de medo? Porque medo é um motivador poderoso quando se trata de voto. E Trump e sua equipe sabem que ele não está vencendo essa disputa nos quesitos esperança e mudança.

Alice Marie Johnson

Johnson, cujo perdão se tornou uma causa defendida pela empresária e celebridade Kim Kardashian, deu um ótimo testemunho sobre o poder da redenção e segundas chances. Ela passou mais de duas décadas na cadeia, apesar de ser uma condenada não violenta. Trump concedeu perdão presidencial a ela em 2018.

“Quando o presidente Trump soube de mim, sobre a minha história de injustiça, ele me viu como uma pessoa. Ele teve compaixão e agiu. Estou livre em corpo graças ao presidente Trump. Mas livre em alma graças a Deus Todo-Poderoso”, afirmou ela na noite de quinta. 

Gostando ou não de Trump, a história de como o erro juvenil de Johnson não a condenou foi inspirador.

Piores momentos

Donald Trump

O empresário bilionário ganhou a Casa Branca, ao menos em parte, por causa do seu estilo livre e seus comícios barulhentos, e não lendo textos em um teleprompter. E o discurso dele na noite de ontem provou isso.

A fala dele – principalmente nos primeiros 30 minutos de um longo discurso – foi sem emoção e decididamente chata. Não houve muita novidade. Ele passou os primeiros 35 minutos citando seus feitos nos primeiros três anos como presidente, repetindo informações diversas vezes contestadas sobre como ele construiu a maior economia da história do país e como ele fez mais pelos afro-americanos do que qualquer presidente desde Abraham Lincoln.

Qualquer um que assistiu a um discurso de Trump ou a uma entrevista dele na TV no último ano reconheceria cada palavra usada no discurso de aceitação feito por ele na última noite da convenção republicana. 

E ainda teve a segunda parte do discurso, inteiramente dedicado a disseminar a ideia de que, nas palavras de Trump, “ninguém estará seguro nos EUA de [Joe] Biden”, referindo-se ao rival democrata. Ainda assim, a maioria desses ataques era repetido.

Distanciamento social

Mais de 1,5 mil pessoas estavam presentes no Gramado Sul da Casa Branca para ouvir o discurso de Trump. Pelas fotos que foram divulgadas, as pessoas estavam muito próximas umas das outras e sem máscaras. Isso é o que Trump queria desde o começo: um grande público, independentemente de o novo coronavírus ainda estar ou não arrasando o país. 

Dana White

O presidente da organização de MMA Ultimate Fighting Championship (UFC) teve bastante tempo para falar na última e mais importante noite do evento. White gritou durante toda a sua fala, o que soou mais como uma campanha a favor da luta livre profissional do que um discurso em uma convenção partidária.

Bill de Blasio

Não apenas houve uma montagem de vídeo inteira dedicada a atacar ferozmente o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, por causa do aumento da taxa de criminalidade na cidade, como também o ex-prefeito de NY Rudy Giuliani dedicou parte de seu discurso a atacar De Blasio. Por quê?

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês.)