Índia e China tomarão medidas para 'restaurar paz', dizem ministros após reunião


Sanjeev Miglani, da Reuters
11 de setembro de 2020 às 01:28 | Atualizado 11 de setembro de 2020 às 01:30
Encontro Índia e China em Moscou

O conselheiro de Estado chinês Wang Yi e o ministro das Relações Exteriores da Índia, S. Jaishankar, se reuniram em Moscou nesta quinta-feira (10)

Foto: Twitter/ Reprodução

Após uma reunião diplomática de alto nível em Moscou, China e Índia disseram que concordaram em diminuir as tensões na disputada fronteira dos dois países no Himalaia. Representantes de ambos os lados se comprometeram a tomar medidas para restaurar a "paz e tranquilidade".

O conselheiro de Estado chinês Wang Yi e o ministro das Relações Exteriores da Índia, S. Jaishankar, se reuniram em Moscou na quinta-feira e chegaram a um consenso de cinco pontos, anunciado em comunicado conjunto. Os dois lados afirmam que a atual situação tensa da fronteira tensa "não é de seu interesse".

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O consenso, obtido paralelamente a uma reunião da Organização de Cooperação de Xangai, veio após mais um confronto na área de fronteira no oeste do Himalaia no início desta semana.

China e Índia se acusaram mutuamente de atirar durante o confronto, uma violação do antigo protocolo de não uso de armas de fogo na fronteira sensível.

Wang disse a Jaishankar durante a reunião que "o imperativo é parar imediatamente as provocações, como disparos e outras ações perigosas que violam os compromissos assumidos pelos dois lados", disse o Ministério das Relações Exteriores da China em um comunicado na sexta-feira.

Wang também disse a Jaishankar que todo o pessoal e equipamento que invadiu a fronteira deve ser movido e que as tropas da fronteira em ambos os lados "devem se desligar rapidamente" para destensionar a situação.

Os comentários contrastam com a recente demonstração de força dos militares chineses. O Global Times, um tabloide influente publicado pelo jornal oficial do Partido Comunista da China, relatou na quarta-feira que o Exército de Libertação do Povo (ELP) estava transportando soldados, bombardeiros e veículos blindados para a fronteira.

A mídia estatal chinesa também relatou recentemente exercícios de salto armado realizados por paraquedistas do ELP no Tibete.

O Global Times disse em um editorial publicado na quinta-feira que qualquer negociação com a Índia deve ser acompanhada de "prontidão para a guerra".

"O lado chinês deve estar totalmente preparado para tomar uma ação militar quando o engajamento diplomático falhar, e suas tropas de linha de frente devem ser capazes de responder a emergências e estar prontas para lutar a qualquer momento", disse o jornal.

"A Índia tem uma confiança anormal em confrontar a China. Ela não tem força suficiente. Se a Índia for sequestrada por forças nacionalistas extremistas e continuar seguindo sua política radical para a China, isso pagará um preço alto."