Cidade dos EUA vai pagar US$ 12 mi a família de jovem negra morta por policiais


Mark Morales, Eric Levenson, Elizabeth Joseph e Christina Carrega, da CNN
15 de setembro de 2020 às 21:54
Família de Breonna Taylor

Tamika Palmer, mãe de Breona Taylor, durante processo judicial - 15/09/2020

Foto: Bryan Woolston/Reuters

A cidade norte americana de Louisville, no estado do Kentucky, concordou em pagar US$ 12 milhões à família de Breonna Taylor. A paramédica negra, de 26 anos, foi assassinada por policiais, em março deste ano, após ter a casa invadida. O governo de Louisville também anunciou que vai instituir "reformas policial radicais".

O prefeito de Louisville, Greg Fischer, a família de Taylor e seus advogados anunciaram o acordo em uma entrevista coletiva conjunta nesta terça-feira (15). 

A cidade concordou em estabelecer um programa de crédito habitacional como um incentivo para que os policiais vivam nas áreas em que atuam; usar assistentes sociais para fornecer apoio em certas operações policiais; e exigir que os comandantes revisem e aprovem os mandados de busca antes de buscar a aprovação judicial, entre outras mudanças.

"Justiça para Breonna significa que continuaremos salvando vidas em sua homenagem", disse Tamika Palmer, mãe de Taylor.

"Nenhuma quantia em dinheiro permite isso, mas as medidas de reforma da polícia que conseguimos aprovar como parte desse acordo significam muito mais para minha família, nossa comunidade e para o legado de Breonna."

Uma porta-voz do gabinete do prefeito confirmou que o acordo de US$ 12 milhões é o mais alto já pago pela cidade. O advogado da família Benjamin Crump chamou a condenação de "histórica" e disse acreditar que é uma das maiores quantias já pagas por uma mulher negra morta pela polícia nos Estados Unidos.

O prefeito Fischer disse que a cidade não admite irregularidades no acordo.

"Não consigo nem imaginar a dor de Palmer", disse Fischer. "E eu sinto profundamente pela morte de Breonna."

O acordo foi firmado mais de seis meses depois que policiais da Polícia Metropolitana de Louisville arrombaram a porta do apartamento de Taylor e a mataram com um tiro enquanto executavam um mandado de prisão preventiva em uma investigação de narcóticos.

O episódio motivou meses de protestos do movimento Black Lives Matter em Louisville e em todo o país. Desde a morte de Taylor, o chefe de polícia foi demitido em junho após se envolver em outro tiroteio,  e o conselho municipal de Louisville aprovou a "Lei de Breonna", que proíbe mandados de busca sem detecção.

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Apesar disso, nenhum dos policiais envolvidos na operação foi acusado pelo crime. O procurador-geral de Kentucky, Daniel Cameron, primeiro negro a ocupar o cargo e uma estrela republicana em ascensão, foi nomeado promotor especial do caso no início deste ano. O FBI também abriu uma investigação para apurar o caso.

Nesta terça-feira (15), os advogados Ben Crump e Lonita Baker, além da mãe de Taylor, continuaram pressionando o governo por acusações criminais contra os policiais envolvidos.

“É hora de seguir em frente com as acusações criminais, porque ela merece isso e muito mais”, disse Palmer. 

(Texto traduzido. Clique aqui e leia o original em inglês)