Em discurso na ONU, papa Francisco alerta para situação perigosa na Amazônia

Pontífice discursou de maneira remota, como chefe de Estado do Vaticano, na Assembleia-Geral

Leonardo Lopes*, da CNN, em São Paulo
25 de setembro de 2020 às 15:37 | Atualizado 25 de setembro de 2020 às 17:32

 

No quarto dia da 75ª Assembleia Geral da ONU, o Papa Francisco realizou seu discurso como Chefe de Estado do Vaticano nesta sexta-feira (25). Em uma fala com cerca de meia hora de duração, o pontífice pontuou a importância do combate à desigualdade social e expressou preocupação com a "situação perigosa" da Amazônia.

Ao falar da crise social, o pontífice disse que "pensa na situação perigosa na Amazônia e suas populações indígenas". "Eles nos lembram que a crise ambiental está intimamente ligada a uma crise social e que o cuidado com o meio ambiente exige uma aproximação integrada para combater a pobreza e a destruição", afirmou.

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Por conta do novo coronavírus, grande parte dos discursos feitos no evento foram gravados previamente em vídeo. Em reflexão sobre a pandemia, o Papa Francisco pontuou que o período representa uma "oportunidade concreta de transformar o modo que vivemos" para reduzir o abismo entre ricos e pobres.

"Nós estamos diante de uma escolha entre dois caminhos. Um deles nos leva à consolidação do multilateralismo, da solidariedade alicerçada em justiça. E outro caminho que enfatizaria nacionalismo, protecionismo, que excluiria os pobres e vulneráveis. Este caminho seria prejudicial para toda a sociedade. Ele não deve prevalecer", disse.

O papa também pontuou a urgência em transformar a saúde pública em um direito básico e universal. Por isso, apelou aos líderes políticos e do setor privado que haja acesso à vacina para Covid-19 independentemente de renda:

"Se alguém deveria ter preferência, que sejam os mais pobres, os mais vulneráveis, aqueles que frequentemente são discriminados.

A pandemia nos mostrou que não podemos viver sem o outro, ou pior ainda, em confronto. As Nações Unidas foram estabelecidas para unir as nações. Aproveitemos esta instituição para construirmos juntos o futuro que todos almejamos. Deus abençoe a todos vocês", concluiu.

(*Sob supervisão de Luiz Raatz)