Prefeitura de Paris vai inaugurar primeira estátua de mulher negra em praça

A praça tem o nome de Solitude, mulher negra lutou contra a escravidão

Giulia Alecrim*, da CNN em São Paulo
26 de setembro de 2020 às 17:39 | Atualizado 26 de setembro de 2020 às 17:43
 

Solitude lutou contra a escravidão em terrritório francês nas ilhas do Caribe. 

Foto: Prefeitura de Paris

Dando continuidade ao projeto “Les Monumentales” da Prefeitura de Paris, Anne Hidalgo, prefeita da cidade, nomeou na manhã deste sábado (26) uma praça em homenagem à Solitude, mulher negra que lutou contra a escravidão e foi símbolo desta resistência em Guadalupe, território francês localizado nas ilhas do Caribe.

O projeto, iniciado em 2018, visa tornar as mulheres visíveis no espaço público.

A praça, antiga “Place du Général Catroux”, foi renomeada como “Jardin Solitude”. 

Em breve, uma licitação será lançada para contratar um escultor que será responsável pela escultura de Solitude, primeira mulher negra a receber tal homenagem em Paris. 

Solitude nasceu em 1772 e era filha de escrava africana, que foi estuprada por um marinheiro que a deportou para as Índias Ocidentais. Ao ser separada de sua mãe, ela tornou-se uma escrava doméstica, mais tarde sendo ‘libertada’ em 1794 depois da primeira abolição da escravatura. 

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Em maio de 1802, entretanto, tropas francesas desembarcaram em Guadalupe sob ordens de Napoleão Bonaparte para restaurar a escravidão. Ex-escravos e alguns oficiais franceses clamaram pela resistência e lutaram contra as tropas. Solitude resistiu, ainda grávida, contra a imposição, ao lado de seus companheiros. Após 18 dias de combate, os ex-escravos foram derrotados e tornados prisioneiros. Ela foi condenada à morte e torturada em 29 de novembro do mesmo ano, um dia após o parto.

Na mesma praça, há uma escultura em ferro em homenagem ao General Alexandre Dumas, filho de escravo e general de Napoleão I. A estrutura é representada por ferros circulares, sendo que um está aberto com a corrente com direção ao céu, e outro tem a corrente presa à terra, o que simbolizaria a vida do general Dumas. 

(*Com supervisão de André Rosa)