Mike Pence, um vice ‘cristão, conservador e republicano’ na Casa Branca

Deputado por seis mandatos e governador de Indiana de 2012 e a 2017, político tem perfil discreto e contrasta com seu companheiro de chapa, Donald Trump

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
02 de outubro de 2020 às 17:02 | Atualizado 08 de outubro de 2020 às 00:27
Mike Pence se define como ‘cristão, conservador e republicano'
Mike Pence, vice-presidente dos EUA, se define como ‘cristão, conservador e republicano’
Foto: Jonathan Ernst - 26.ago.2020/Reuters

Atual vice-presidente dos Estados Unidos e candidato ao cargo mais uma vez neste ano, Mike Pence tem um longo histórico na política americana e ostenta um perfil discreto, em contraste com o companheiro de chapa e presidente, Donald Trump.

Nascido em 1959 em Columbus, cidade com cerca de 44 mil habitantes no sudeste do estado de Indiana, Pence é conhecido pelo perfil conservador social e evangélico, que o levou a seis mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, antes de ser eleito governador do estado, em 2012.

Curiosamente, na adolescência Pence se declarava democrata. Ele afirmou que votou em Jimmy Carter (democrata) e não Ronald Reagan (republicano) na eleição presidencial de 1980 – e John F. Kennedy, outro presidente democrata, era um de seus ídolos.

Em 2010, no entanto, no discurso em uma conferência política anual realizada em Washington para ativistas conservadores sociais, Pence fez questão de deixar claro seu atual perfil: “Sou um cristão, conservador e republicano. Nessa ordem”, afirmou.

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Família e estudos

Michael Richard Pence é um dos seis filhos do casal Edward e Nancy Pence, donos de postos de gasolina em Indiana, que criaram os filhos seguindo a religião católica.

A mãe, Nancy Jane Cawley, é filha de um imigrante irlandês, Richard Michael Cawley, que deixou o país fugindo da pobreza e da guerra. O pai, Edward Joseph Pence, também descendente de irlandeses, serviu o Exército e recebeu a Estrela de Bronze ao lutar na Guerra da Coreia.

Em 1981, Pence se formou em História na Hanover College, uma faculdade particular e afiliada à Igreja Presbiteriana, onde ele diz ter renovado a fé cristã “que continua sendo a força motriz em sua vida”.

Mais tarde, se formou em Direito pela Universidade de Indiana, onde conheceu Karen, com quem é casado desde 1985 e tem três filhos: Michael, Charlotte, e Audrey.

Mike Pence em campanha no Arizona, em 2016
Mike Pence em campanha no Arizona, em 2016
Foto: Gage Skidmore -2.nov.2016/Divulgação

Depois de graduado, Pence exerceu a advocacia ao mesmo tempo em que presidia a Indiana Policy Review Foundation, um grupo de reflexão conservador e libertário, apresentava o “The Mike Pence Show”, um programa de rádio transmitido em toda a região, e um programa semanal sobre relações públicas em uma emissora de TV local.

Vida política

Depois de duas tentativas frustradas de chegar ao Congresso, a primeira delas em 1988 e a segunda em 1990 – esta última marcada pelo uso indevido de doações à sua campanha para pagar dívidas pessoais –, Pence finalmente conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2000, aos 40 anos.

No capitólio, defendeu temas como “os limites do governo, responsabilidade fiscal, desenvolvimento econômico, oportunidade educacional e a Constituição dos EUA”, segundo biografia publicada no site da Casa Branca.

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Em 2011, Pence anunciou que disputaria a indicação do partido para concorrer ao governo de Indiana. Com uma plataforma de continuidade do trabalho de seu antecessor, o também republicano Mitch Daniels, ele prometeu ampliar a reforma educacional no estado e a desregulamentação de negócios.

Foi eleito em 2012 com 1.275.424 (49,49%) votos contra 1.200.016 (46.56%) de John Gregg, seu adversário democrata. Assumiu o cargo em 14 de janeiro de 2013.

No comando de Indiana, ganhou projeção nacional ao aprovar, em 26 de março de 2015, projeto de lei sobre liberdade religiosa que permita, por exemplo, que comerciantes não atendessem casais do mesmo sexo se alegassem que isso contrariava suas crenças religiosas.

Uma semana depois, sob intensas críticas de democratas, ativistas LGBT e empresários, Pence assinou emenda que proibia a discriminação com base na orientação sexual, na raça, na religião ou em deficiências. O recúo irritou alas mais moderadas do Partido Republicano.

Caminho à Casa Branca

Pence (C) participa do posse do general James Mattis como secretário de Defesa
Pence (C) participa do juramento do general James Mattis como secretário de Defesa, no Pentágono
Foto: Benjamin Applebaum - 27.jan.2017/Casa Branca

Durante as primárias do Partido Republicano, em 2016, Pence declarou apoio ao senador Ted Cruz, mas não fechou as portas para parcerias com outros candidatos.

“Não sou contra ninguém, mas votarei em Ted Cruz nas primárias do Partido Republicano”, disse Pence em maio, dias antes da votação em Indiana.

Depois da derrota no estado para Trump por mais de 20 pontos, Cruz desistiu da pré-campanha e Pence declarou, então, que apoiaria a indicação do magnata à disputa pela Casa Branca.

Em 15 de julho de 2016, Trump anunciou em sua conta no Twitter que tinha escolhido Pence como seu companheiro de chapa. Um anúncio formal foi feito no dia seguinte, em um hotel de Manhattan.

A escolha de Pence, que desistiu de concorrer à reeleição em seu estado, foi vista como um movimento de Trump em busca de segurança, já que sua atitude discreta contrasta com o perfil bombástico do presidente.

Em 8 de novembro daquele ano, foi eleito como o 48º vice-presidente da história dos EUA. Nos dias seguintes, assumiu o controle da equipe de transição.

Quatro anos na vice-presidência

No primeiro mês na Casa Branca, Pence participou de uma marcha antiabordo em Washington, tornando-se o primeiro vice-presidente do país a discursar em um evento do tipo.

Em fevereiro de 2017, deu o voto de minerva a favor da indicação de Betsy DeVos como secretária de Educação. Foi a primeira vez na história dos EUA que um vice-presidente precisou votar durante a indicação de um membro do gabinete presidencial.

Em outro posicionamento público contra o aborto, Pence disse, durante viagem ao Canadá em 2019, “ter muito orgulho de ser parte de um governo pró-vida”.

Neste ano, durante a pandemia do novo coronavírus, Trump colocou Pence como o responsável pela resposta do governo federal dos EUA à crise de saúde. Os Estados Unidos são o país com maior número de mortos e infectados pela Covid-19. Até esta sexta-feira (2), são 208.403 vítimas fatais e 7.312.444 casos da doença.

(Com informações da Reuters e da CNN)