Trump é apontado como a maior fonte de desinformação do mundo, diz pesquisa


Julyanne Jucá, da CNN, em São Paulo
02 de outubro de 2020 às 09:55
Donald Trump e Joe Biden durante debate em Cleveland

Donald Trump e Joe Biden durante debate em Cleveland

Foto: Morry Gash - 29.set.2020/ Reuters

O presidente norte americano, Donald Trump, foi apontado como o maior promotor de desinformação sobre a Covid-19 do mundo. A pesquisa foi produzida pela Aliança para a Ciência, do Departamento de Desenvolvimento Global da Universidade de Cornell, que analisou mais de 38 milhões de publicações sobre a doença em todo o mundo. 

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Baseado na análise de 38.713.161 notícias sobre a Covid-19, publicadas nos mais diversos meios entre os dia 1º de janeiro e 26 de maio de 2020, os pesquisadores apontaram que 1,1 milhão delas representaram desinformação, isto é, pouco menos de 3%. Dentro deste total, 37,9% foram mencionadas por Trump. A mídia, no entanto, checou apenas 16,4% dessas informações, "o que sugere que a maioria foram simplesmente divulgadas sem qualquer interferência". 

Para a apuração, os "tipos" de desinformação que circularam entre a população geral foram classificados em 11 tópicos. Teorias da conspiração e curas milagrosas sobre a doença lideram as chamadas fake news, sendo que essa última (que se mostrou desproporcionalmente maior que  os outros 10), foi fortemente motivada por falas do próprio Trump. 

"Embora se possa esperar uma sobreposição substancial entre esses subtópicos, dada a proeminência do Presidente Trump dentro do tema das 'curas milagrosas', esses resultados reforçam nossa conclusão de que o presidente dos Estados Unidos foi provavelmente o maior impulsionador de desinformação durante a pandemia Covid-19", diz a pesquisa.

A defesa do uso da hidroxicloroquina como cura para a Covid-19 e críticas conspiratórias sobre o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, Anthony Fauci, alimentaram as desinformações feitas por Trump, desde o início da pandemia.

O objetivo da pesquisa, na verdade, foi quantificar a extensão da infodemia - termo utilizado pela Organização Mundial da Saúde para tratar da grande desinformação durante uma pandemia. 

"A desinformação sobre o COVID-19 é uma séria ameaça à saúde pública global. Se as pessoas são enganadas por afirmações não comprovadas sobre a natureza e o tratamento da doença, é menos provável que sigam os conselhos oficiais de saúde e, assim, contribuam para a propagação da pandemia e representem um perigo para si mesmas e para os outros", justifica o documento.

No início da madrugada desta sexta, o presidente Donald Trump anunciou que ele e a primeira-dama, Melania Trump, testaram positivo para a Covid-19. Os EUA é o país com o maior número de mortes e de casos da doença, contabilizando 207.816 e 7.279.065, respectivamente.