Pence se esquiva de dizer se Trump aceitaria derrota: 'Confio em eleição justa'


Diego Freire, da CNN, em São Paulo
08 de outubro de 2020 às 00:27 | Atualizado 08 de outubro de 2020 às 01:02


Em diversas oportunidades, Donald Trump deu demonstrações de que pode não aceitar os resultados das eleições americanas no caso de uma eventual derrota para Joe Biden. Na noite desta quarta-feira (7), em debate dos candidatos a vice, Mike Pence foi questionado sobre o assunto.

A resposta de Pence foi similar às falas de Trump nas vezes em que foi questionado sobre o assunto — condicionando a aceitação dos resultados à realização de uma "eleição justa".

"Se tivermos uma eleição livre e justa, teremos confiança nela. E eu sei e acredito que o presidente Donald Trump será reeleito por mais quatro anos", disse Pence.

 

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Pence corroborou a possibilidade aventada por Trump de que haja uma fraude nas eleições com a adoção ampla do voto por correio nos Estados Unidos.

"Estamos lutando todos os dias para impedir que as regras sejam mudadas e esse voto impresso universal seja criado, o que criaria uma oportunidade gigantesca para fraudes. Temos uma eleição livre e queremos confiar nela", disse o vice-presidente.

Antes de mencionar "eleições justas" como uma condição para aceitar o resultado das urnas, Pence reiterou sua confiança de que a chapa republicana sairá vitoriosa nas eleições, marcadas para 3 de novembro.


Questionamentos democratas sobre 2016

O vice de Trump acusou, ainda, os democratas de tentarem mudar o resultado das eleições de 2016. Após a derrota de Hillary Clinton, opositores de Trump levantaram a suspeita de interferência russa nas eleições e questionaram a vitória do republicano.

Pence afirmou que as investigações sobre o caso não encontraram "nenhuma obstrução" e "nenhum conluio" com a Rússia. O republicano citou ainda a abertura de um processo de impeachment contra Trump, em 2019, como outra tentativa de mudar o resultado das últimas eleições. Segundo ele, tentaram tirar o presidente do posto com base em "um telefonema".

Trump foi acusado de tentar recrutar poder estrangeiro para interferir a seu favor na campanha de reeleição - por pedir ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que colaborasse com seu advogado pessoal, Rudolph Giuliani, em uma investigação sobre Hunter Biden – filho do ex-vice-presidente Joe Biden – no caso de denúncias de corrupção envolvendo uma empresa de gás ucraniana.

O processo de impeachment foi aberto na Câmara, mas o Senado absolveu Trump de ser julgado.