Países europeus preparam regras mais rígidas para combater 2ª onda de Covid-19

Com crescente nos registros diários do novo coronavírus, países devem anunciar novas medidas nesta semana

Emma Reynolds, Nicola Ruotolo e David Wilkinson, da CNN
13 de outubro de 2020 às 00:48
Pessoas caminham, se exercitam e tomam sol na orla em Barcelona, na Espanha
Foto: Emilio Morenatti/AP/Agência Estado


Países europeus estudam novas medidas rígidas para impedir a disseminação do novo coronavírus, à medida que os casos no continente continuam aumentando.

Mais líderes estão se preparando para tomar medidas drásticas visando conter uma segunda onda de Covid-19 - seguindo os passos de nações como França e Espanha, que já foram forçadas a apertar as restrições nas principais cidades.

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Itália discute novas medidas



A Itália - um dos países europeus mais atingidos durante a primeira onda da pandemia - deve impor novas regras nesta semana após ter visto, no domingo (11), o maior aumento de pacientes com Covid-19 precisando de UTIs desde 31 de março.

Um decreto governamental amplamente discutido na mídia italiana pode incluir:
- Proibição de consumo de álcool fora de bares e lojas;
- Proibição de festas privadas ou um limite no número de participantes;
- Proibição de espectadores em eventos esportivos (1.000 pessoas são permitidas atualmente);
- Máscaras obrigatórias para quem pratica esportes ao ar livre

Na última quinta-feira, a Itália adotou a regra que exige o uso de máscaras ao ar livre e nos casos de contato próximo com pessoas que não são membros da família - com exceção de crianças pequenas, pessoas com deficiências ou patologias que impeçam o uso de máscaras e pessoas que praticam esportes.

Qualquer pessoa flagrada infringindo a regra poderá ser multada entre 400 e 1.000 euros (cerca de R$ 2.600 a R$ 6.500).

O país informou neste domingo um total de 420 pessoas em UTIs - mais 30 que no dia anterior - o maior aumento desde o final de março. No domingo, foram registrados 5.456 novos casos e 26 novas mortes, elevando o número de fatalidades pela Covid-19 para 36.166.

Inglaterra deve separar regiões em níveis de alerta



O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, deve anunciar um novo sistema de níveis de alerta na Inglaterra, enquanto as autoridades tentam conter o aumento do número de infecções no país.

Cada área do país será colocada em níveis de alerta definidos como "médio", "alto" ou "muito alto", segundo nota do gabinete de Johnson. O comunicado acrescentou que o governo está trabalhando com líderes locais para decidir como as áreas serão classificadas e o que significam.

Espera-se que Liverpool, no noroeste da Inglaterra, esteja no nível mais alto, o que ocasionará em restrições mais rígidas e ginásios, pubs e cassinos fechados. Espera-se que a camada intermediária envolva restrições a encontras com pessoas que não sejam parentes em ambientes fechados.

O primeiro-minstro deve finalizar os detalhes sobre as novas medidas antes de apresentá-las ao Parlamento. Os parlamentares vão debater e votar as medidas nesta semana.

"Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para proteger o NHS (Serviço Nacional de Saúde) e garantir que o sistema continue a fornecer os serviços essenciais dos quais tantas pessoas dependem", disse um porta-voz do governo britânico. "Essa é uma conjuntura crítica e é absolutamente vital que todos sigam a orientação clara."

O governo do Reino Unido relatou 12.872 novos casos e 65 mortes no domingo, o que significa que o país registrou um total de 603.716 casos e 42.825 mortes desde o início da pandemia. O país relatou um recorde de 22.961 casos diários em 4 de outubro após um acúmulo.

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Surtos em grandes cidades alemães

As maiores cidades da Alemanha se tornaram pontos críticos nos últimos dias, com Berlim tendo a maioria dos casos e altos números também registrados em Colônia, Dusseldorf, Essen e Stuttgart.

A Alemanha registrou 2.467 novos casos do novo coronavírus na segunda-feira, de acordo com dados do Instituto Robert Koch (RKI), a autoridade de saúde pública da Alemanha. Os dados vieram após um aumento diário de mais de 4.000 nos dias anteriores - os números mais altos desde abril.

Stuttgart pediu ajuda ao Exército no combate ao vírus. Os militares já estão ajudando algumas áreas com rastreamento de contatos e centros de teste. Não é comum para cidades do país a solicitação desse tipo de ajuda.

A Alemanha já registrou 325.331 casos do novo coronavírus e 9.621 mortes, de acordo com o RKI.

Mais cidades francesas em 'alerta máximo'

As cidades francesas de Toulouse e Montpelier serão adicionadas à categoria de "alerta máximo" a partir de terça-feira, anunciaram as agências regionais de saúde da França no domingo.

Paris, Marselha, Lille, Lyon, Grenoble, Saint-Etienne e o departamento ultramarino de Guadalupe já estão na "categoria de alerta máximo", o que significa medidas mais rígidas, incluindo o fechamento de bares e academias.

Um nível de "alerta máximo" é estabelecido quando a taxa de incidência do vírus sobe acima de 250 casos por 100.000 pessoas, a taxa de incidência para pessoas com 65 anos ou mais é superior a 100 e mais de 30% dos leitos da UTI são ocupados por pacientes com coronavírus.

O ministro da Saúde da França, Olivier Veran, respondeu no domingo, via Twitter, às críticas às medidas.

“Nossos profissionais de saúde deram muito durante a 1ª onda e estão cansados”, postou. "O que queremos é desacelerar o vírus, evitar formas graves, limitar a internação de pessoas em UTI e limitar as mortes."

A autoridade nacional de saúde da França disse no domingo que 16.101 novos casos diários foram registrados. Um recorde de 26.896 novos casos diários foi anunciado no sábado.

A taxa de positividade - o percentual de testes positivos - subiu para 11,5%, em comparação com 7,6% em 1º de outubro e 4,3% em 1º de setembro. Houve 32.730 mortes relacionadas à Covid-19 na França, de acordo com a autoridade de saúde .

Aurelien Rousseau, chefe da autoridade de saúde da região de Paris, disse segunda-feira que a taxa de positividade era de 17% na região de Paris. Ele disse à afiliada da CNN, BFM, que "este é um número que nunca alcançamos".