Recebo mais cartas de ódio que meu marido, diz segunda-dama da Pensilvânia

Brasileira é casada com vice-governador e sofreu episódio de racismo na última semana

Fabrício Julião e Layane Serrano, da CNN
13 de outubro de 2020 às 14:41 | Atualizado 13 de outubro de 2020 às 16:42

A brasileira Gisele Barreto Fetterman, casada com John Fetterman, vice-governador do estado norte-americano da Pensilvânia, passou por um episódio de racismo em um supermercado na cidade de Forest Hills, nos Estados Unidos. 

Em entrevista nesta terça-feira (13) à CNN, Gisele comentou que normalmente vai a locais públicos com sua equipe de segurança, mas como estava um dia de chuva liberou a equipe e foi sozinha ao supermercado que fica perto de sua casa. Na fila para pagar as compras, uma mulher a reconheceu e começou a segui-la, proferindo xingamentos racistas

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A brasileira Gisele Barreto Fetterman, casada com o vice-governador da Pensilvânia
Foto: Reprodução/Twitter

Após sair do estabelecimento, os ataques continuaram no estacionamento. Gisele então pegou o celular e começou a filmar a mulher, que continuou com as ofensas. Por meio de um vídeo, é possível ver a senhora tirando a máscara e chamando a brasileira de uma palavra pejorativa para se referir a negros.

“Ela começou a me agredir, informando que eu não deveria viver no país, me chamou de ladra e no final eu consegui pegar um pouco da violência no estacionamento. Foi sem nenhum motivo, não sei como ela vota, não sei quais são os problemas dela, o fato é que eu sou imigrante e isso incomoda muita gente, muita gente me vê como inferior por não ter nascido aqui”, comentou Gisele. 

A segunda-dama afirmou que tirou uma foto da placa do carro da agressora e enviou para sua equipe, que já está tomando as ações legais na Justiça.

“O meu time de segurança está cuidando das providências, mas pedi para que as pessoas que receberem ela a tratem com amor, mas a ensine também. É uma conversa difícil, mas importante.”

Gisele, que tem 38 anos, se mudou para os Estados Unidos aos oito anos de idade. Apesar de ser casada com um político, não acredita que a agressão verbal tenha sido motivada por questões políticas, mas sim preconceituosa, por ser imigrante. 

“Eu vim para os EUA quando ainda era uma criança e cheguei a viver sem documentos. Eu sempre recebi cartas de ódio, eu recebo dez vezes mais do que o meu marido que é um político americano. Acho que por ser imigrante e pública com a minha história, acabo recebendo mais do que ele que é político. Essas agressões já aconteceram por mensagem ou carta, mas nunca foi cara a cara. Foi a primeira vez que essa violência aconteceu comigo e foi muito difícil.”