Irã celebra fim do embargo da ONU sobre comércio de armas; EUA se opõem


Por Daniel Wallis and Sonya Hepinstall, da Reuters
18 de outubro de 2020 às 04:33 | Atualizado 18 de outubro de 2020 às 06:36
Bandeira do Irã em Teerã

Bandeira do Irã 

Foto: iranflag_reference/ Reprodução Instagram

O governo iraniano considera que o embargo das Organização das Nações Unidas (ONU) à compra e à venda de armas pelo país expira neste domingo (18). O Ministério das Relações Exteriores do país emitiu comunicado afirmando que o embargo imposto pela organização expira nesta data, mas a forte oposição dos Estados Unidos à situação torna o cumprimento das medidas imprevisível.

Na nota, as autoridades afirmaram que o Irã é autossuficiente em sua defesa e não precisa "fazer uma farra de compra de armas", mas ressalta que o embargo de armas convencionais das Nações Unidas expira neste domingo.

"A doutrina de defesa do Irã tem como premissa a forte confiança em seu povo e nas capacidades nativas. Armas não convencionais, armas de destruição em massa e uma onda de compra de armas convencionais não têm lugar na doutrina de defesa do Irã", disse um comunicado do Ministério das Relações Exteriores divulgado pela mídia estatal.

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O embargo de armas do Conselho de Segurança de 2007 ao Irã deveria expirar no domingo, conforme acordado no acordo nuclear de 2015 entre Irã, Rússia, China, Alemanha, Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, que procuravam impedir Teerã de desenvolver armas nucleares em troca para alívio de sanções econômicas.

As tensões entre Washington e Teerã dispararam desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, em 2018, se retirou unilateralmente do acordo.

Em agosto, o governo Trump desencadeou um processo com o objetivo de restaurar todas as sanções das Nações Unidas, depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas rejeitou uma oferta dos EUA para estender o embargo de armas convencionais ao país.

"A normalização de hoje da cooperação de defesa do Irã com o mundo é uma vitória para a causa do multilateralismo, paz e segurança em nossa região", disse o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, no Twitter.

Dias depois de desencadear o processo, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, alertou a Rússia e a China para não desconsiderar a reimposição de todas as sanções dos EUA ao Irã exigidas por Washington.

Quando questionado se os Estados Unidos teriam como alvo a Rússia e a China com sanções caso se recusassem a reimpor as medidas da ONU ao Irã, Pompeo disse: "com certeza".

"Já fizemos isso, onde vimos qualquer país violar ... as atuais sanções americanas, responsabilizamos todas as nações por isso. Faremos a mesma coisa com respeito às sanções mais amplas do Conselho de Segurança da ONU," disse ele.

O Irã desenvolveu uma grande indústria doméstica de armas em face das sanções e embargos internacionais que o impediram de importar muitas armas.

Analistas militares ocidentais dizem que o Irã frequentemente exagera ao divulgar sua capacidade armamentista, embora as preocupações sobre seu programa de mísseis balísticos de longo alcance tenham contribuído para que Washington abandonasse o acordo nuclear iraniano.