Sem máscara, papa diz que Covid-19 é 'senhora durona' e deve ser obedecida

Treze guardas do pontífice testam positivo para doença recentemente

Philip Pullella, da Reuters
28 de outubro de 2020 às 15:41 | Atualizado 28 de outubro de 2020 às 16:47

Durante uma missa nesta quarta-feira (28), o Papa Francisco descreveu a Covid-19 como uma senhora “durona” que deve ser obedecida. Entretanto, o pontífice e membros próximos de sua equipe não usaram máscaras.

No início do trecho externo da missa, Francisco se desculpou por não descer do altar de mármore.

“Eu vou ficar aqui em cima. Eu gostaria muito de descer e cumprimentar cada um de vocês, mas temos que manter nossas distâncias”, disse ele para uma audiência de centenas de pessoas, quase todas usando máscaras.

“Se eu descesse, pessoas imediatamente se aglomerariam em grupos...e isso é contra os cuidados, as precauções que devemos ter perante essa senhora chamada Covid, que está nos causando muita dor”, disse.

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O Papa, a maior parte de seus assistentes e tradutores no altar não usaram máscaras. A Guarda Suíça e fotógrafos que estavam na missa usaram máscaras, mas bispos e padres, que cumprimentaram o Papa de forma próxima, tiraram as máscaras ao se aproximar dele.

Treze oficiais da Guarda Suíça e um morador da casa de hóspedes da residência do pontífice testaram positivo recentemente para o novo coronavírus.

O Papa, que teve parte de um dos pulmões removida por conta de uma doença quando era jovem, foi criticado nas redes sociais por nem sempre usar uma máscara em público.

Em 20 de outubro, ele usou uma máscara por diversas horas em uma sessão de orações com outros líderes religiosos, tirando somente quando precisava falar. No sábado (24), ninguém estava usando máscaras durante a reunião do Papa com o primeiro-ministro da Espanha Pedro Sanchez e sua delegação, na biblioteca privada de Francisco.

Em uma coletiva de imprensa por vídeo na terça-feira (27), o padre Augusto Zampini, um membro da comissão do Vaticano montada pelo Papa para aconselhá-lo sobre os efeitos sociais da crise, reconheceu a inconsistência de Francisco.

“Estamos tentando convencê-lo, estamos quase lá”, disse Zampini.