Tropas australianas mataram civis afegãos por 'desejo de sangue', diz inquérito

Inquérito aponta crimes de guerra das tropas de elite australianas no Afeganistão. Relatório relata 39 assassinatos ilegais e tortura de não combatentes

Por Angus Watson, Ben Westcott e Brad Lendon, CNN
19 de novembro de 2020 às 02:34 | Atualizado 19 de novembro de 2020 às 03:46
Treinamento do Exército australiano
Foto: TPR Jonathan Goedhart/ Australia's Department of Defence


 

Assassinatos por competição e "desejo de sangue" eram uma "norma" entre as forças especiais australianas no Afeganistão, de acordo com um inquérito oficial sobre alegados crimes de guerra atribuídos às tropas de elite do país durante o conflito.

O inquérito alega que tropas australianas estiveram envolvidas nos assassinatos ilegais de 39 civis ou prisioneiros no Afeganistão, em meio a uma "cultura de guerra".

Leia também:
Estados Unidos anunciam retirada de parte de militares no Iraque e Afeganistão

Exército dos EUA intercepta míssil balístico intercontinental em simulação

Falando em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (19) em Canberra, o chefe das Forças de Defesa australianas, general Angus Campbell, pediu desculpas ao povo do Afeganistão pela conduta descrita no inquérito.

"Isso teria devastado a vida de famílias e comunidades afegãs, causando dor e sofrimento incomensuráveis", disse ele.

A Força de Defesa da Austrália recomenda que a Polícia Federal da Austrália (AFP) investigue 19 indivíduos das Forças Especiais do país sobre 36 alegados crimes de guerra, incluindo assassinato e tratamento cruel de não combatentes no Afeganistão entre 2009 e 2013.

"Aqueles que foram supostamente mortos ilegalmente eram prisioneiros, fazendeiros ou outros civis. Este registro vergonhoso inclui supostos casos em que novos membros da patrulha foram coagidos a atirar em um prisioneiro a fim de obter a primeira morte daquele soldado, em um processo assustador", disse Campbell.

O relatório apresenta o que diz ser "informação credível" de que armas ou rádios portáteis foram algumas vezes colocados nos corpos das vítimas para simular que a pessoa havia sido morta em ação.

Campbell afirmou que aceitou todas as 143 recomendações do inquérito.