'Tubarão perdido' pode ter sido extinto, diz organização que monitora espécies

Golfinho amazônico também está sob risco de desaparecer

Reuters
10 de dezembro de 2020 às 11:48 | Atualizado 10 de dezembro de 2020 às 12:42
O Carcharhinus obsolerus, chamado de 'tubarão perdido'
Foto: Divulgação/CSIRO

Um tubarão que foi descoberto de maneira formal apenas recentemente pode já ter sido extinto —um destino que nenhum tubarão ainda tinha sofrido desde o surgimento dos humanos, e um golfinho amazônico de água doce está ameaçado, mostrou a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas nesta quinta (10). 

Mais de um quarto das 128.918 espécies animais, vegetais e de fungos que foram analisadas pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) estão ameaçados de extinção nesta última atualização. A lista mais recente tem 31 novas extinções, incluindo vários peixes e mais de uma dúzia de peixes de água doce. 

"Isso realmente mostra que o mundo está sob enorme pressão", disse Craig Hilton-Taylor, diretor da unidade da Lista Vermelha, à Reuters. 

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"A ideia da Lista Vermelha é tentar chamar atenção para essas espécies e tentar impedir que elas sejam extintas, mas às vezes esse processo acontece rápido demais". 

O chamado "tubarão perdido", do mar da China meridional só foi descoberto formalmente no ano passado, baseado em espécimes de décadas de idade. Mas nenhum foi avistado recentemente e ele não apreceu em cinco estudos direcionados, o que levou a IUCN a listá-lo como "Em perigo crítico (possivelmente extinto)". 

Historicamente, tubarões provaram ser robustos e sobreviveram no planeta por milhões de ano, persistindo mesmo através de eventos de extinção em massa, como a colisão do meteoro que se acredita ter eliminado a maioria dos dinossauros. 

Will White, um ictiologista (especialista em peixes) da Coleção Nacional de Peixes da Austrália que nomeou o "tubarão perdido", disse que essa pode ser a primeira extinção de tubarão na era humana. 

"Infelizmente, o que faz a espécie uma grande sobrevivente na natureza não significa que a torna uma grande sobrevivente contra a ação humana", disse White à Reuters. 

A IUCN, que trabalha com milhares de cientistas, tende a ser conservadora ao cravar as extinções, uma vez que declará-las pode significar o fim de qualquer esforço de conservação que ainda reste. Ainda assim, espécies que ela chama de "possivelmente extintas" frequentemente já foram. 

A organização também moveu um golfinho amazônico com a barriga rosada chamado de Tucuxi à lista de espécies ameaçadas. Isso significa que todos os golfinhos de água doce estão ameaçados, já que as outras espécies já integravam o rol. 

Os perigos incluem barragens, poluição e a pesca com redes de emalhar —cortinas vastas de redes de pescar que se movem de acordo com a correnteza, explicaram. 

A IUCN descreveu a diminuição na população de sapos nas Américas Central e do Sul como "drástica". Ela citou a quitridiomicose, uma infecção por fungo que os cientistas ligam à mudança climática. 

Em nota mais positiva, a organização disse que a população europeia de bisões cresceu mais de três vezes desde 2003 graças a esforços de conservação que o elevaram em uma categoria pars "vulnerável". 

O bisão foi dizimado por exércitos famintos na Primeira Guerra Mundial nos territórios que hoje são Polônia e Belarus, e sumiram da natureza antes de serem reintroduzidos a esses ambientes. 

Outra história de sucesso é a da Dipturus laevis —um peixe grande e plano que lembra uma arraia —que pulou três categorias, de "ameaçado" para "pouco procupante". 

"Há vislumbres de esperança, pequenas histórias que nos mostram o que pode ser feito", disse Hilton-Taylor, da IUCN.

"Nós sabemos o que fazer, sabemos quais espécies estão ameaçadas. É só uma questão de nos esforçarmos um pouco mais".