Após se queixar de racismo em tratamento, médica negra morre de Covid-19 nos EUA

Susan Moore postou vídeo no dia 4 de dezembro dizendo que um médico estava negligenciando seu tratamento por conta da sua etnia

Dakin Andone, da CNN
25 de dezembro de 2020 às 10:39 | Atualizado 25 de dezembro de 2020 às 10:44
Médica Susan Moore morreu no domingo (20) por complicações do novo coronavírus
Foto: Reprodução/Facebook

Uma médica negra morreu de Covid-19 semanas depois de acusar um médico branco de minimizar suas dores e preocupações com o tratamento, enquanto estava internada em um hospital do estado de Indiana, nos EUA.

A Dra. Susan Moore morreu no domingo (20) devido a complicações da Covid-19, seu filho disse ao New York Times. A interna morreu cerca de duas semanas após compartilhar um vídeo em que acusa um médico do Hospital Norte da Universidade de Indiana (IU North) de ignorar suas reclamações de dor e pedidos de medicação por ela ser negra.

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Em um vídeo postado no início de dezembro, ela se filmou numa cama de hospital e rememorou sua experiência no IU North. Moore disse que o seu médico afirmou que ela “nem estava com falta de ar”. “Sim, eu estou”, disse ela nas imagens postadas no Facebook em 4 de dezembro.

Ela precisou implorar para receber doses do remdesivir, conta no vídeo, a droga antiviral utilizada para tratar pacientes hospitalizados com Covid-19 que não precisam de ventilação mecânica.

E, apesar de sua dor, o médico disse que possivelmente a enviaria para casa, ela relembra, afirmando que não se sentia confortável em receitar mais medicações. “Ele me fez sentir como uma viciada”, afirmou. “E ele sabia que eu era médica.”

Em outras atualizações, Moore afirma que suas dores só foram adequadamente tratadas após a própria levantar preocupações sobre o tratamento. Ela recebeu, então, alta do IU North, retornando para outro hospital menos de 12 horas depois.

Um porta-voz do hospital confirmou à CNN que Moore esteve internada ali e que, eventualmente, recebeu alta. Mas não deu mais detalhes sobre o tema, citando o direito a privacidade dos pacientes.

“Como uma organização focada em promover igualdade e reduzir disparidades raciais no acesso à saúde, nós levamos a sério acusações de discriminação e investigamos cada alegação”, diz.

Dennis M. Murphy, presidente e CEO da Universidade de Saúde de Indiana, defendeu em nota os aspectos técnicos do tratamento, mas assumiu que “a entidade pode não ter demonstrado o nível de compaixão e respeito que busca em termos de compreender as necessidades dos pacientes”.

Ele também pediu uma avaliação externa do caso.