Narrativa de Trump criou ambiente delicado para posse de Biden, diz analista

Cerimônia presidencial vai acontecer na próxima quarta-feira (20)

da CNN, em São Paulo
15 de janeiro de 2021 às 18:27


Após a invasão do Capitólio por parte de apoiadores de Donald Trump, a preocupação com a segurança acabou fazendo com que o ensaio da posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, fosse adiado. A cerimônia está marcada para a próxima quarta-feira (20).

Em entrevista à CNN, Carlos Gustavo Poggio, especialista em relações internacionais, acredita que o cancelamento do ensaio "faz todo sentido", uma vez que a narrativa criada por Trump de que as eleições presidenciais foram fraudadas "cria um caldo muito delicado" do ponto de vista de segurança.

"Biden talvez seja o presidente que tenha mais risco, para falarmos um português correto, de ser assassinado do que os últimos presidentes americanos. [John F.] Kennedy foi o último deles. Antes dele, outros três foram assassinados. O primeiro foi Abraham Lincoln, depois da guerra civil nos Estados Unidos”, disse.

“Em 1981 houve uma tentativa de assassinar [Ronald] Reagan. Ele chegou a receber um tiro que ultrapassou e atingiu o pulmão. Depois se recuperou. Portanto, acho que faz todo sentido a preparação para o caso de uma violência contra Biden.”

Além do histórico de presidentes assassinados no país, Poggio lembra que muitos eleitores compraram a narrativa de que Trump ganhou as eleições do ano passado. 

“Isso foi suficiente para radicalizar uma parte importante da população que vai, portanto, olhar para o Biden como um presidente ilegítimo, como alguém que chegou lá de forma roubada e isso cria um caldo muito delicado do ponto de vista de segurança.”

(Publicado por Sinara Peixoto)