EUA cumprem 13ª e última execução sob gestão Trump

Sob Donald Trump, governo federal executou quase quatro vezes mais do que nas últimas seis décadas

Reuters
16 de janeiro de 2021 às 02:21 | Atualizado 17 de janeiro de 2021 às 00:55
Câmara da morte com maca para aplicação de injeção letal
Câmara da morte com maca para aplicação de injeção letal
Foto: Divulgação/Department of Corrections of Mississippi

O governo dos Estados Unidos cumpriu a 13ª e última execução federal sob a gestão do presidente Donald Trump no início deste sábado (16), a menos de cinco dias antes que o presidente eleito Joe Biden assuma o cargo com a promessa de tentar abolir a pena de morte.

O prisioneiro era Dustin Higgs, de 48 anos, que foi condenado e sentenciado à morte em 2001 por supervisionar o sequestro e o homicídio de três mulheres em uma reserva florestal federal em Maryland em 1996.

O cúmplice dele, Willis Haynes, que confessou ter atirado nas vítimas, foi sentenciado à prisão perpétua em um processo separado. 

Higgs foi dado como morto às 4h23 no horário de Brasília, informou o gabinete federal de prisões em nota, após uma decisão tarde da noite da Suprema Corte que liberou o procedimento. 

Nas palavras finais, Higgs disse não ter ordenado os crimes. "Gostaria de dizer que sou um homem inocente", disse antes da administração das injeções letais.

Essa foi a terceira execução federal só nesta semana.

No ano passado, o governo federal executou 10 pessoas, mais que o triplo das últimas seis décadas, o que marcou a primeira vez em que conduziu mais execuções do que todos os estados norte-americanos somados, de acordo com uma base de dados do Centro de Informações sobre a Pena de Morte. Uma minoria dos 50 estados ainda conduzem execuções 

Higgs foi a 13ª pessoa executada pelo governo dos Estados Unidos em um rompante extraordinário que começou em julho do ano passado por Trump, defensor declarado da pena capital, após uma moratória de 17 anos de execuções em nível federal. Antes de Trump, o governo federal havia executado três pessoas desde 1963. 

A ACLU (União das Liberdades Civis da América, na sigla em inglês) disse que a execução de Higgs foi o fim de um rompante "cruel, desumano e ilegal" do governo federal. "O presidente eleito Joe Biden se comprometeu a pôr um fim na pena de morte em nível federal. Ele deve honrar esse compromisso", disse Cassandra Stubbs, diretora de um projeto da organização pelo fim da pena capital.