Pior índice final de popularidade de uma primeira-dama pertence a Melania Trump

Ela sai do cargo com 47% das avaliações negativas; associação à imagem de Donald Trump pode interferir na baixa popularidade

Harry Enten, da CNN
19 de janeiro de 2021 às 16:26 | Atualizado 26 de janeiro de 2021 às 17:21
A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump
Foto: Jonathan Ernst/Reuters (31.out.2020)

Muito tem sido escrito sobre os índices de popularidade historicamente baixos do presidente dos EUA, Donald Trump, no momento em ele deixa o cargo. Mas a mancha na marca Trump vai além daquela do presidente.

Melania Trump vai deixar a Casa Branca com o pior índice de popularidade já registrado para qualquer primeira-dama no final de seu mandato na história das pesquisas.

A mais recente pesquisa CNN/SSRS constatou que a avaliação positiva de Melania Trump é de 42% contra 47% negativa. Os 47% representam o índice desfavorável mais alto já registrado para Melania. Também é um número alto quando se leva em conta a perspectiva histórica.

Tradicionalmente, as primeiras-damas são admiradas de maneira quase uniforme. Não é um cargo eletivo e suas ocupantes normalmente não são controversas. É difícil ser impopular quando se é uma primeira-dama.

Veja o que aconteceu nas pesquisas finais da CNN e Gallup que perguntaram sobre a popularidade das primeiras-damas desde Pat Nixon. A média de popularidade final da primeira-dama antes de Melania Trump foi de 71%, com uma taxa de impopularidade de 21%. Isso significa que a média de popularidade líquida para essas primeiras-damas foi de 50 pontos.

É bom registrar que as avaliações de Nixon, Betty Ford e Rosalynn Carter foram feitas antes do último mês de seus respectivos maridos no cargo e as perguntas sobre popularidade foram formuladas de forma diferente das feitas na pesquisa atual. Mesmo se tirarmos essas primeiras-damas da equação, teremos uma avaliação final média muito semelhante de 70% favorável e 23% desfavorável desde Nancy Reagan em 1989.

Na verdade, a única primeira-dama a deixar o cargo com uma classificação de popularidade abaixo de 40 pontos foi Hillary Clinton. Sua classificação de favorabilidade de 13 pontos (52% favorável e 39% desfavorável) em uma pesquisa CNN/Time/Yankelovich Partners de janeiro de 2001 ainda bateu facilmente a classificação final de Trump.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e a primeira-dama, Melania, em Cleveland
Foto: Carlos Barria - 29.set.2020 / Reuters

Diferentemente de Melania Trump, Hillary Clinton tinha uma carreira política e concorreu à sua cadeira no Senado dos EUA durante o último ano do marido na Casa Branca, sendo empossada semanas antes de deixar a Casa Branca. Ela também foi muito mais politicamente ativa na Casa Branca, ajudando liderar o esforço de Bill Clinton pela reforma da saúde. Em outras palavras, ao contrário da maioria das primeiras-damas, Hillary Clinton era vista sob uma ótica partidária.

Melania não chegou nem perto de se envolver na gestão do cotidiano da Casa Branca. Ela foi pouco visível, pelo menos para a maioria dos norte-americanos.

Na verdade, não está totalmente claro o quanto as baixas classificações de Melania têm a ver com ela. Sim, ela teve momentos que explodiram nas mídias sociais e quebrou a tradição (com o marido) de não receber a família Biden na Casa Branca.

Mas as baixas classificações de Melania Trump precedem seu tempo no cargo. Ela já apresentava, com frequência, índices de popularidade relativamente baixos desde quando seu marido concorreu à presidência, em 2016. À época, ela não era muito conhecida na época.

Ao que parece, apenas estar associada ao marido teve um impacto negativo em sua popularidade.

Donald Trump e a primeira-dama Melania Trump na Casa Branca
Foto: Reprodução/CNN (27.ago.2020)

Por mais tentador que seja pensar que a impopularidade de um marido significa automaticamente que uma primeira-dama também é impopular, historicamente não é esse o caso.

Quando Richard Nixon já estava bem no meio do escândalo Watergate, em agosto de 1973, 83% dos norte-americanos classificaram Pat Nixon com uma nota +1 ou mais em uma escala de favorabilidade que variava de -5 a +5. Apenas 13% a classificaram como -1 ou pior.

Quando o índice de aprovação de Jimmy Carter estava em apenas 32% em agosto de 1979, o índice de aprovação de Rosalynn Carter era de 59%, com desaprovação em 19%. A comparação de Carter com Trump é especialmente interessante porque o índice de aprovação atual de Donald Trump é bastante semelhante ao de Jimmy Carter naquele momento de sua presidência.

Originalmente, pensei que a baixa popularidade da atual primeira-dama poderia ser devido à crescente polarização na política.

Laura Bush, porém, provou que, mesmo na era moderna, uma primeira-dama pode ser muito mais popular que seu marido. Sua avaliação final favorável em uma pesquisa CNN/ORC de janeiro de 2009 foi de 67% contra 20% de avaliação desfavorável. A avaliação favorável de George W. Bush foi de 35% na mesma pesquisa.

Na verdade, Laura Bush e Michelle Obama (69% de avaliação favorável) terminaram com avaliações de popularidade próximas da média para primeiras-damas que partiram.

Obviamente, nenhuma primeira-dama neste século deixou o cargo com a avaliação de 85% favorável de Barbara Bush em 1993.

Meu palpite é que a chegada da primeira-dama Jill Biden também não vai bater tais índices. Sua avaliação favorável foi de 58% para uma avaliação desfavorável de 29%.

Mas, assim como seu marido, Jill Biden começa muito mais popular do que sua antecessora.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).