Após 7 anos, meninas sequestradas escapam do Boko Haram na Nigéria

Uma das meninas conseguiu contatar a família, que acreditava que nunca mais reencontraria a filha

Stephanie Busari, da CNN, em Lagos
29 de janeiro de 2021 às 16:30 | Atualizado 29 de janeiro de 2021 às 16:47
Boko Haram
Rebecca Samuel, mãe de uma das meninas capturadas pelo Boko Haram em Chibok, chora
Foto: Afolabi Sotunde/REUTERS

Um grupo de estudantes da cidade de Chibok, Nigéria, sequestradas pelo Boko Haram quase sete anos atrás, finalmente escapou de seus captores, segundo disse o pai de uma das meninas à CNN.

Halima Ali Maiyanga, uma das mais de 100 jovens ainda desaparecidas, ligou para seu pai na quinta-feira (28) para dizer que ela e outras pessoas conseguiram fugir de militantes do Boko Haram.

“Ela me perguntou. ‘É você, meu pai? É o meu pai!’, e então começou a chorar. Ela chorou tanto que eu não conseguia ouvi-la muito bem. Eu também estava chorando. Nunca mais esperava ter notícias dela”, disse Ali Maiyanga.

“A família inteira está muito feliz. Nossa casa está cheia de pessoas que estão alegres conosco”.

 

 

Ali Maiyanga disse que não teve oportunidade de falar direito com a filha, porque ela estava emocionada e a chamada foi rápida. Segundo ele, a filha e outras vítimas estão seguras e sendo cuidadas pelo exército nigeriano. O pai acrescentou que a jovem ligou de uma linha de telefone de um oficial de segurança.

A CNN entrou em contato com o exército da Nigéria para uma posição oficial sobre o tema. Ainda não está claro quantas das meninas desaparecidas restantes conseguiram escapar.

Halima Maiyanga é meia-irmã de Maryam Ali Maiyanga, que foi resgatada em 2016 por militares – carregandos nos braços um bebê que ela teve com um comandante do Boko Haram. A informação foi dada por Somiari Fubara, a terapeuta contratada para cuidar das meninas de Chibok recém-libertadas em 2017.

“Elas eram muito próximas. Maryam chorou muito por causa da irmã”, lembrou a terapeuta, que trabalhou com as reféns na Universidade Americana da Nigéria em Yola, no estado de Adamawa.

 

 

Em 2014, militantes invadiram um internato no vilarejo nigeriano de Chibok e sequestraram 276 meninas. O incidente gerou ampla repercussão em todo mundo e iniciou uma campanha internacional que defendia a libertação das meninas, usando a hashtag #BringBackOurGirls.

Dezenas de meninas escaparam quase imediatamente após o sequestro em massa. Além de Maryam, outra estudante foi encontrada em maio de 2016 ao sair de uma floresta nigeriana pedindo ajuda, segundo testemunhas.

Também em 2016, o Boko Haram libertou 21 meninas para o governo nigeriano após negociações. No ano seguinte, mais 82 estudantes foram soltas em uma troca de prisioneiros entre o grupo terrorista e o governo na capital do país, Abuja.

Desde então, não se soube mais nada das 112 jovens restantes.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).