Advogados deixam equipe de Trump por divergências sobre defesa no impeachment

Segundo apuração da CNN ameircana, Trump quer manter tese de que eleição foi fraudada, enquanto advogados querem alegar impeachment inconstitucional

Por Gloria Borger, Kaitlan Collins, Jeff Zeleny, Ashley Semler, Kara Scannell e Manu Raju, da CNN
31 de janeiro de 2021 às 00:44
Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos
Foto: REUTERS


Cinco dos advogados da equipe de defesa do impeachment do ex-presidente Donald Trump se afastaram da equipe um pouco mais de uma semana antes do início do julgamento do processo no Senado, segundo fontes próximas ao caso informaram à CNN americana.

A debandada ocorre em meio a um desacordo sobre a estratégia para defender Trump. 

Butch Bowers e Deborah Barbier, que deveriam ser dois dos advogados principais do ex-presidente, não estão mais no caso, de acordo com uma fonte ouvida pela emissora. Bowers foi um dos responsáveis por montar o grupo de defesa do ex-presidente.

  

Josh Howard, um advogado da Carolina do Norte que recentemente foi adicionado à equipe, também saiu, segunda outra fonte familiarizada com as mudanças. Johnny Gasser e Greg Harris, também da Carolina do Sul, são outros nomes que não estão mais envolvidos no caso.

Uma pessoa familiarizada com as saídas disse à CNN que Trump queria que os advogados argumentassem que houve fraude eleitoral em massa e que a eleição americana foi "roubada" dele, em vez de focar a estratégia de defesa na legalidade de condenar um presidente depois que ele deixou o cargo.

Segundo os relato, Trump não foi receptivo às discussões sobre como eles deveriam proceder a esse respeito.

Os advogados ainda não haviam recebido nenhum pagamento adiantado e nenhuma carta de intenções foi assinada.

A CNN entrou em contato com os advogados para comentar o caso, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem.

“Os esforços dos democratas para promover o impeachment de um presidente que já deixou o cargo são totalmente inconstitucionais e muito ruins para o nosso país. Na verdade, 45 senadores já votaram que é inconstitucional. Já trabalhamos muito (na estratégia de defesa), mas não tomamos uma decisão final em nossa equipe jurídica, que será formada em breve", disse o ex-conselheiro de campanha de Trump, Jason Mille,r à CNN.

Bowers, um advogado respeitado da Carolina do Sul, já trabalhou no Departamento de Justiça do presidente George W. Bush.

Barbier, também da Carolina do Sul, trabalhou de perto em vários casos importantes e foi uma ex-promotora federal por 15 anos no estado antes de abrir sua própria empresa de defesa criminal.

Gasser e Harris são ex-promotores federais. Gasser atuou como procurador interino dos Estados Unidos para a Carolina do Sul no início de sua carreira. Ambos trabalharam em estreita colaboração com Barbier.

Howard trabalhou como advogado independente associado nas investigações de Whitewater e Monica Lewinsky durante a presidência de Clinton e passou uma década no Departamento de Justiça, onde trabalhou nas confirmações do Chefe de Justiça da Suprema Corte, John Roberts, e do juiz Samuel Alito.

Ele também já serviu como presidente do Conselho Eleitoral do Estado da Carolina do Norte, deixando o cargo no início de 2016.