OMS: Covid-19 se espalhou em Wuhan no fim de 2019; origem ainda é desconhecida

Especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) dizem não haver evidências de casos antes dos registrados em dezembro de 2019 na cidade chinesa

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
09 de fevereiro de 2021 às 07:34 | Atualizado 09 de fevereiro de 2021 às 08:31

 

O vírus que causa a Covid-19 poderia estar circulando em outras regiões antes de ser identificado na cidade de Wuhan, no centro da China, no final de 2019, disse um especialista da autoridade de saúde da China nesta terça-feira (9).

Liang Wannian, um especialista da Comissão de Saúde da China, também afirmou em uma coletiva de imprensa ao fim de uma visita de quase um mês a Wuhan por uma equipe liderada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que não houve propagação substancial do vírus na cidade antes do surto no final de 2019.

“A análise de eventos dos dois meses anteriores ao primeiro caso registrado em 19 de dezembro não revelou claras evidências da ocorrência de casos clínicos da infecção por SARS-Cov-2”, afirmou Liang .

“A maioria dos casos foi reportada na segunda metade de dezembro, muitos deles associados ao mercado de Wuhan, indicando que era um dos focos da transmissão. Não é possível com base nas atuais informações epidemiológicas determinar como o SARS-Cov-2 foi introduzido no mercado de Wuhan”, continuou.

"A equipe, no entanto, não foi capaz de rastrear quais lojas do mercado do Wuhan teriam vendido os animais infectados com o vírus. “Precisaríamos de mais investigação nessa área.”

Ele disse ainda que o coronavírus geneticamente relacionados ao SARS-Cov-2 foi identificado em animais diferentes, como morcegos e pangolins.

Peter Ben Embarek, especialista em vírus da OMS que chefiou a equipe de investigadores, afirmou que a equipe descobriu novas informações sobre a origem da doença, mas não algo que mudasse drasticamente o que já se sabia sobre o início do surto.

“Em termos de entender o que aconteceu nos primeiros dias em dezembro de 2019, mudamos drasticamente a imagem que já tínhamos antes? Acho que não. Mas melhoramos nosso entendimento, adicionamos detalhes para essa história? Absolutamente”, afirmou.

Embarek também disse que o trabalho para identificar as origens do coronavírus aponta para uma reserva natural em morcegos, mas é improvável que eles estivessem em Wuhan.

"Como Wuhan não é uma cidade próxima a esses ambientes de morcegos, a transmissão direta de para humanos não é muito provável. Portanto, tentamos identificar que outras espécies de animais se movimentaram ou foram trazidos para a cidade e que poderiam ter levado o vírus para o mercado", disse o especialista.

Embarek disse que a equipe identificou os vendedores produto/animais vivos, seus fornecedores e as fazendas de onde eles vieram - em diferentes partes do país.

"Há potencial para continuar a seguir essa pista e analisar mais essa cadeia de fornecimento de animais o mercado de Wuhan. A busca pela possível rota de introdução por diferentes espécies de animais ainda é um trabalho em progresso."

(Com informações da Reuters)