Taiwan culpa 'força externa' de bloquear acordo por vacina. China nega ligação

Governo de Taiwan afirmou que acordo para adquirir vacinas da Pfizer/ BioNTech fracassou no último minuto devido a uma possível "pressão política"

Por Nectar Gan, da CNN
19 de fevereiro de 2021 às 03:35 | Atualizado 19 de fevereiro de 2021 às 06:17
Frasco com vacina contra Covid-19 da Pfizer/BioNTech em hospital da Irlanda
Frasco com vacina contra Covid-19 da Pfizer/BioNTech
Foto: Liam McBurney/Pool via Reuters (8.dez.2020)

 

O governo chinês negou que tenha obstruído a compra da vacina contra o coronavírus da Pfizer/ BioNTech pelo governo de Taiwan, depois que o ministro da saúde da ilha revelou que o acordo de aquisição do imunizante fracassou no último minuto devido a uma possível "pressão política".

Ma Xiaoguang, porta-voz do Escritório Chinês para Assuntos de Taiwan, disse, na quinta-feira (18), que seria "pura fabricação" de Taiwan a alegação de que Pequim teria intervido na venda da vacina contra a Covid-19, informou a agência de notícias estatal Xinhua.

Um dia antes, o ministro da Saúde de Taiwan, Chen Shih-chung, disse em uma entrevista de rádio que Taiwan e a BioNTech estavam prestes a assinar um acordo para 5 milhões de doses de vacina em dezembro, quando a empresa desistiu repentinamente.

 

"No processo de (discutir o acordo), sempre me preocupei com a intervenção de forças externas", disse Chen, sem nomear nenhum país. "Acreditamos que houve pressão política", disse ele. "Naquela época, já havíamos preparado nosso comunicado à imprensa. Mas certas pessoas não querem que Taiwan seja muito feliz."

A vacina da alemã BioNTech, desenvolvida globalmente com a farmacêutica americana Pfizer, em dezembro se tornou o primeiro imunizante contra o novo coronavírus a obter a aprovação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para uso emergencial.

Em sua declaração na quinta-feira, Ma, do Escritório Chinês para Assuntos de Taiwan, também acusou Taipei de tentar "contornar" o agente geral da BioNTech na "Grande China", o Shanghai Fosun Pharmaceutical Group.

A Fosun, uma empresa com sede na China, assinou um acordo de "colaboração estratégica" com a BioNTech em março passado, dando-lhe os direitos de desenvolver e comercializar a vacina contra o coronavírus da farmacêutica alemã na China continental, Hong Kong, Macau e Taiwan.

Chen alegou que o governo taiwanês nunca havia entrado em contato com Fosun e, em vez disso, estava falando diretamente com a BioNTech na Alemanha. A BioNTech também nunca pediu a Taiwan para negociar com a Fosun, acrescentou.

A Fosun não respondeu a um pedido da CNN para comentar o assunto. A empresa farmacêutica taiwanesa TTY Biopharm, que estava envolvida em negociações com a BioNTech, também não quis comentar, citando um acordo de confidencialidade firmado entre as duas empresas.

Em um comunicado na quinta-feira, a BioNTech disse que as discussões com Taiwan estavam em andamento. "A BioNTech está empenhada em ajudar a pôr fim à pandemia para as pessoas em todo o mundo e pretendemos fornecer a Taiwan nossa vacina como parte deste compromisso global", disse o comunicado.

Em dezembro, quando Taiwan e a BioNTech estavam perto de assinar o acordo, Chen anunciou em uma entrevista coletiva que a ilha autogerida havia garantido quase 20 milhões de doses de vacinas contra o novo coronavírus, incluindo 4,76 milhões por meio da iniciativa Covax, 10 milhões da AstraZeneca/ Universidade de Oxford e outros 5 milhões de uma empresa "que está concluindo a confirmação final", que ainda não era revelada por confidencialidade, mas seria a BioNTech - que depois desistiu do negócio.

Embora Chen não tenha citado o nome da China, ele deu uma clara indireta a Pequim depois da transmissão sair do ar durante um intervalo comercial.

"É exatamente como nossas (tentativas de) participar da Assembleia Mundial da Saúde", disse ele ao anfitrião, referindo-se ao bloqueio de Pequim de Taiwan de participar da assembleia anual da Organização Mundial da Saúde como observador desde que a presidente Tsai Ing-wen assumiu o cargo em 2016 .