Governo Biden retoma negociações de paz com o Taleban

Este será o primeiro encontro com funcionários do governo do Afeganistão e representantes do grupo militante na atual gestão norte-americana

Aaron Pellish e Paul LeBlanc, da CNN
01 de março de 2021 às 04:19
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Governo de Joe Biden retoma negociações de paz com o Taleban
Foto: Tom Brenner/Reuters

Os EUA enviaram negociadores ao Oriente Médio para reiniciar as conversas de paz com o Taleban pela primeira vez no governo de Joe Biden, anunciou o Departamento de Estado.

O Representante Especial dos EUA para a Reconciliação do Afeganistão, Zalmay Khalilzad, viajará para o Afeganistão e o Catar, onde se encontrará com funcionários do governo afegão, bem como com representantes do Taleban.

"(Khalilzad) retomará as discussões sobre o caminho a seguir com a República Islâmica e os líderes afegãos, representantes do Taleban e países regionais cujos interesses são mais bem atendidos pela conquista de um acordo político justo e durável e um cessar-fogo permanente e abrangente", disse o comunicado .

Khalilzad foi o principal negociador dos EUA com o Taleban durante o governo de Donald Trump, e a CNN relatou anteriormente que o governo Biden o manteve para, em parte, demonstrar a fidelidade do governo ao acordo de Doha que foi assinado pelos EUA e pelo Taleban no ano passado, que Khalilzad ajudou a negociar.

O acordo, assinado em fevereiro de 2020, prevê que o grupo militante reduza a violência e corte relações com organizações terroristas, entre outras demandas. Se as condições do acordo forem atendidas, as forças dos EUA deixarão o Afeganistão em maio de 2021.

Mas o Pentágono disse no mês passado que o governo Biden não se comprometeria com a retirada total das tropas do Afeganistão até maio porque o Taleban não honrou os compromissos assumidos com os Estados Unidos.

"O Taleban não cumpriu seus compromissos", disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby. "Sem que eles cumpram seus compromissos de renunciar ao terrorismo e impedir os ataques violentos às forças de segurança nacional e, por força disso, ao povo afegão, é muito difícil ver um caminho específico para o acordo negociado."

O obstáculo inicial da política externa para o governo Biden foi previsto pelo secretário de Estado Antony Blinken, que descreveu o Afeganistão como "um verdadeiro desafio" em sua audiência de confirmação no Senado, no mês passado.

"Queremos acabar com essa chamada guerra infinita. Queremos trazer nossas forças para casa. Queremos reter alguma capacidade para lidar com qualquer ressurgimento do terrorismo, que foi o que nos levou para lá em primeiro lugar", disse ele.

Blinken também expressou a necessidade de proteger os ganhos obtidos pelas mulheres e pela sociedade civil, dizendo aos legisladores: "Não acredito que qualquer resultado que eles possam alcançar – o governo do Afeganistão ou o Taleban – seja sustentável sem proteger os ganhos de mulheres e meninas no Afeganistão nos últimos 20 anos, quando se trata de acesso à educação, saúde e emprego”.

(Texto traduzido; leia o original em inglês)