Pedra esculpida na Idade do Bronze pode ser o mapa mais antigo da Europa

Pesquisadores perceberam que as gravuras contidas na placa se assemelhavam a uma representação cartográfica unida por linhas que seriam os rios da época

Amy Woodyatt, CNN
08 de abril de 2021 às 10:09
Pedra esculpida na Idade do Bronze
Iamgem de pedra esculpida na Idade do Bronze, encontrada por pesquisadores
Foto: Reprodução/Universidade de Bournemouth

Uma placa de pedra, esculpida com linhas e desenhos complexos que datam da Idade do Bronze, é o mapa mais antigo da Europa, afirmam pesquisadores.

Usando uma tecnologia 3D de alta resolução e fotogrametria, eles reexaminaram a Laje Saint-Bélec – um pedaço de rocha gravado e parcialmente quebrado que foi descoberto em 1900, mas esquecido por quase um século.

Investigadores do Instituto Nacional Francês de Pesquisa Arqueológica Preventiva (Inrap), da Universidade Bournemouth do Reino Unido, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS) e da Universidade da Bretanha Ocidental dizem que o estudo recente do objeto revelou que ele é a representação cartográfica mais antiga de um território conhecido na Europa.

Com entalhes de motivos dispersos, a pedra teve uma vida agitada de quase 100 anos: desenterrada de um túmulo no oeste da Bretanha, no extremo norte da França, acredita-se que tenha sido reutilizada em um antigo cemitério no final da Idade do Bronze.

Nesse local, segundo os especialistas, ela fazia parte de uma parede de uma pequena caixa semelhante a um caixão com restos humanos. No momento da escavação, a laje de quase 4 metros de comprimento já estava quebrada e sem a metade superior.

Em 1900, ela foi transferida para um museu privado e, até a década de 1990, ficou guardada no Museu Nacional de Arqueologia do castelo de Saint-Germain-en-Laye. Em 2014, a pedra foi redescoberta em uma das adegas do museu.

Pesquisador examina relíquia esculpida na Idade do Bronze
Pesquisador examina relíquia esculpida na Idade do Bronze
Foto: Reprodução/Universidade de Bournemouth

Ao examinarem a relíquia, os pesquisadores perceberam que as gravuras se assemelhavam a um mapa, com motivos repetidos unidos por linhas. Eles notaram que a superfície foi deliberadamente feita em uma forma de três dimensões para representar um vale, com linhas pensadas para mostrar uma rede de rios.

A equipe notou semelhanças entre as gravuras e os elementos da paisagem do oeste da Bretanha, com o território representado na laje parecendo mostrar uma região próxima ao curso do rio Odet.

Clément Nicolas, pesquisador de pós-doutorado na Universidade de Bournemouth e primeiro autor do estudo, disse à CNN que a descoberta "destaca o conhecimento cartográfico das sociedades pré-históricas".

Mas ainda existem muitas incógnitas, incluindo por que a laje foi quebrada.

"A Laje de Saint-Bélec retrata o território de uma entidade política fortemente hierárquica que controlava rigidamente um território no início da Idade do Bronze, e quebrá-la pode ter indicado condenação e desconsagração", disse Nicolas.

(Esse texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)