Ataques aéreos de Israel em Gaza matam 42 palestinos, incluindo 10 crianças

Ataque acontece em meio a uma escalada de confrontos violentos entre israelenses e palestinos

Nidal Al-mughrabi e Jeffrey Heller, da Reuters
16 de maio de 2021 às 19:30
Escombros de uma casa destruída por ataques aéreos israelenses ao sul de Gaza
Palestinos inspecionam casas destruídas por ataques aéreos israelenses em Khan Yunis, ao sul da Faixa de Gaza
Foto: YOUSEF MASOUD/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

Um ataque aéreo israelense em Gaza destruiu várias casas neste domingo (16), matando 42 palestinos, incluindo 10 crianças, de acordo com informações de autoridades locais de saúde. O ataque acontece em meio a uma escalada de confrontos violentos entre israelenses e palestinos na faixa de Gaza nos últimos dias, que segue sem nenhuma perspectiva de acordo no horizonte. 

Os militares israelenses disseram que as vítimas civis não foram intencionais. De acordo com eles, os seus jatos miravam um sistema de túneis usado por militantes do Hamas, que acabou desabando e derrubando as casas civis. O Hamas, grupo que controla Gaza, classificou a ação como "matança pré-meditada".

Enquanto o Conselho de Segurança da ONU se reunia para discutir a pior episódio de violência entre israelenses e palestinos em anos, o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a campanha do país em Gaza continuará com "força total".

Netanyahu também defendeu um ataque aéreo israelense feito no sábado (15), que destruiu um prédio de 12 andares que abrigava os escritórios da agência de notícias Associated Press e a rede de TV Al Jazeera. O primeiro-ministro argumentou que o edifício era ocupado pelo escritório de inteligência de um grupo militante e, portanto, era um alvo legítimo.

"Estamos agindo agora, (e) pelo tempo que for necessário, para restaurar a calma e o silêncio para vocês, cidadãos de Israel. Vai levar tempo", disse Netanyahu em um discurso pela televisão, após uma reunião com seu gabinete de segurança.

Com os novos ataques, o número de mortos em Gaza saltou para 192, incluindo 58 crianças, disse o Ministério da Saúde. Dez pessoas foram mortas em Israel, incluindo duas crianças, disseram autoridades israelenses.

Esforços de resgate

Após a destruição na manhã deste domingo, os palestinos trabalharam nas casas atingidas para remover os destroços, e conseguiram recuperar os corpos de uma mulher e de um homem.

"Esses são momentos de horror que ninguém pode descrever. É como se um terremoto tivesse atingiso a área", disse Mahmoud Hmaid, pai de sete filhos que estava ajudando nos esforços de resgate.

Os militares israelenses disseram que sua aeronave tinha como alvo um sistema de túneis do Hamas que passa por baixo de uma estrada na cidade de Gaza. "A instalação militar subterrânea desabou, fazendo com que as fundações das casas de civis acima deles também desabassem e levando a mortes não intencionais", disse o órgão em um comunicado.

Os militares disseram que tentam evitar baixas de civis, mas afirmam que o Hamas é o responsável "por localizar intencionalmente sua infraestrutura militar sob casas de civis, expondo assim os civis ao perigo".

Em Gaza, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, disse: "Como sempre, Israel está tentando enganar a opinião pública por meio dessas mentiras, em uma tentativa de justificar o crime e escapar da responsabilidade".

"O que aconteceu esta manhã foi um assassinato pré-meditado", disse outro oficial do Hamas, Sami Abu Zuhri, que falou à Reuters por telefone de Istambul. "As imagens do que aconteceu e do local provam que os edifícios foram alvejados diretamente, e por isso desabaram"

'Totalmente apavorante'

Em Nova York, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse ao Conselho de Segurança que as hostilidades em Israel e Gaza foram "totalmente apavorante" e pediu o fim imediato dos combates.

Os Estados Unidos disseram ao Conselho de Segurança que deixaram claro para as autoridades da região que estão prontos para oferecer apoio "caso as partes busquem um cessar-fogo".

Em seu discurso em Israel, Netanyahu disse que quer "fazer o agressor pagar" para evitar conflitos futuros.

O Hamas começou a fazer ataques com foguetes na segunda-feira, após semanas de tensões em meio a um processo judicial que quer despejar várias famílias palestinas em Jerusalém Oriental. A retaliação veio depois, também, de uma série de confrontos da polícia israelense com os palestinos perto da Mesquita de Al-Aqsa, o terceiro local mais sagrado do Islã, durante o mês sagrado muçulmano do Ramadã.

Os militares israelenses afirmam que o Hamas dispararou mais de 2.800 foguetes de Gaza na semana passada. É mais da metade do número disparado ao longo de 51 dias em um conflito de 2014 entre o Hamas e Israel, de acordo com eles. 

Diálogo com os EUA

O enviado do presidente americano Joe Biden, Hady Amr, chegou a Israel na sexta-feira para diálogos com as autoridades locais. "Ele reforçou que Israel tem total apoio dos EUA para se defender", disse um funcionário com conhecimento das reuniões de Amr em Israel. "Ele deixou claro que ninguém espera que Israel faça o contrário", acrescento.

Uma mediação internacional é complicada pelo fato de que os Estados Unidos e a maioria das potências ocidentais não falam com o Hamas por uma questão de política.