Rio e mais: 8 lugares da América Latina que podem estar submersos em 2100

Até o ano 2100, as terras onde vivem 200 milhões de pessoas podem ser praticamente inabitáveis

Ángela Reyes, da CNN
21 de maio de 2021 às 05:00 | Atualizado 21 de maio de 2021 às 17:10
Banhistas se aglomeram sem máscara na Praia de Copacabana
Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, já evidencia o avanço do nível do mar
Foto: Reginaldo Pimenta/Agência O DIa/Estadão Conteúdo

Milhões de pessoas em todo o mundo estão ameaçadas pela elevação do nível do mar que, junto com outros fatores, pode afetar cidades inteiras ao longo deste século. Da América do Norte à Ásia, os alarmes estão ligados. O que está acontecendo na América Latina? Mostramos aqui algumas das áreas que podem estar submersas até o ano 2100, de acordo com um modelo publicado pela organização Climate Central.

As estimativas da elevação do nível do mar evoluíram ao longo dos anos. O que acontecerá dependerá, entre outros fatores, do aumento das temperaturas na Terra (que por sua vez está ligada às emissões de gases de efeito estufa).

Nesse contexto, um estudo da Climate Central publicado em 2019 na revista Nature Communications calcula que esse aumento será entre 0,6 e 2,1 metros ao longo deste século, valor muito superior às estimativas anteriores.

Isso significa que, até o ano 2100, as terras onde vivem 200 milhões de pessoas podem ser praticamente inabitáveis.

Esta organização sem fins lucrativos desenvolveu um mapa que permite visualizar a ameaça da elevação do nível do mar e mostra que a América Latina não fica de fora. Mostramos aqui alguns dos locais que podem cair permanentemente abaixo da linha da maré alta até 2100.

O mapa da américa latina

México: áreas costeiras na península de Yucatán

As costas oeste e leste do México estão ameaçadas pela elevação do nível do mar. De acordo com a projeção do Climate Central, em menos de 80 anos partes da Península de Yucatán poderiam estar abaixo do nível da água. Terras em Quintana Roo, Yucatán, Campeche e Tabasco seriam afetadas.

Indo para o oeste, a ameaça é vista principalmente ao longo das costas de Sonora, Sinaloa e Nayarit.

As costas da Nicarágua e de Honduras

Nicarágua e Honduras são dois dos países da região que sabem em primeira mão o que significa lidar com as consequências do aquecimento global, que torna os furacões mais perigosos.

O estudo publicado em 2019 adverte justamente que “as comunidades costeiras ao redor do mundo devem se preparar para um futuro muito mais difícil do que pode ser previsto atualmente”.

Colômbia: área de Barranquilla

Na Colômbia, duas áreas se destacam por extensão: uma perto de Barranquilla (a foz do rio Magdalena no Mar do Caribe) e outra em direção à fronteira com o Panamá (o Golfo de Urabá).

Venezuela: a costa ao redor do Lago Maracaibo

Como pode ser visto no mapa abaixo, no caso da Venezuela existem focos identificáveis ??nas proximidades do Lago Maracaibo e Tucupita. Se seguirmos a rota leste e sul, a ameaça também é visível na Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Vale ressaltar que o estudo destacou principalmente os riscos potenciais na Ásia, porque cerca de 70% das pessoas em risco de enchentes anuais e permanentes estão em oito países asiáticos: China, Bangladesh, Índia, Vietnã, Indonésia, Tailândia, Filipinas e Japão.

Brasil: uma ameaça de norte a sul

O Brasil, com seus mais de 7.000 quilômetros de costa no Oceano Atlântico, enfrenta ameaças tão ao norte quanto o estado do Amapá e ao sul até o estado de Río Grande do Sul. Algumas das áreas que podem cair sob a linha da maré alta estão permanentemente próximos a cidades importantes como Porto Alegre e Rio de Janeiro.

E por falar no Rio de Janeiro, uma nota: nos últimos anos o perigo enfrentado pela famosa praia de Copacabana com a elevação do nível do mar tornou-se evidente. E está longe de ser a única ameaçada.

Um estudo de 2020 publicado na Nature Climate Change afirma que metade das praias do mundo podem desaparecer até o final do século.

Uruguai: costa leste com alguns dos pontos turísticos mais valorizados

Se seguirmos para o sul e cruzarmos a fronteira do Brasil, veremos que a costa oriental do Uruguai também tem pontos ameaçados, nos departamentos de Rocha e Maldonado, por exemplo, que são mundialmente reconhecidos por algumas de suas cidades e praias como Punta del Este ou Cabo Polonio. Assim como no Norte, em vários casos esse aumento de nível teria impacto no entorno de lagoas ou outros corpos d'água.

Argentina: surtos nas províncias de Entre Ríos e Buenos Aires

Entre os vários pontos visualizados na Argentina, duas áreas se destacam: uma na província de Entre Ríos, onde correm rios como o Ibicuy e o Paraná, e na província de Buenos Aires, no alto da baía de Samborombón.

O que causa o aumento do nível do mar?

Por trás da elevação do nível do mar está uma realidade que cada vez mais ouvimos falar: o aquecimento global. Esse fenômeno faz com que o nível da água suba por dois motivos, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Por um lado, contribui para o derretimento de mantos de gelo e geleiras e, por outro, "o volume do oceano se expande com o aquecimento da água".

A agência cita outro fenômeno que também contribui para a elevação do nível do mar, embora em menor proporção, que é “a diminuição da quantidade de água líquida em terra”, no que se refere a lagos, reservatórios e aqüíferos, entre outros. “Esse deslocamento de água líquida da terra para o oceano se deve em grande parte ao bombeamento de água subterrânea”, explica ele.

Além do bombeamento de água subterrânea, outros fatores que agravam os efeitos da elevação do nível do mar incluem a extração de materiais do solo e a produção de sedimentos que estão ocorrendo perto da costa e causando o afundamento do solo.

(Texto traduzido. Leia o original em espanhol aqui)