Irã diz à Aiea que vai renovar acordo de monitoramento nuclear por um mês

Não prorrogação poderia prejudicar os esforços para salvar o acordo de 2015, que visa impedir o Irã de desenvolver armas nucleares

Parisa Hafezi, da Reuters, em Dubai
24 de maio de 2021 às 14:13
Bandeira do Irã hasteada em Teerã
Bandeira do Irã hasteada em Teerã
Foto: REUTERS

O Irã informou à agência de fiscalização nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) que decidiu estender um acordo de monitoramento com a entidade por um mês, disse o enviado de Teerã à Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) nesta segunda-feira (24).

O diretor-geral da Aiea, Rafael Grossi, confirmou que o acordo foi estendido até 24 de junho, evitando o fracasso de negociações mais amplas voltadas a reviver o acordo nuclear de 2015 do Irã com potências mundiais.

A Aiea e o Irã firmaram um acordo de monitoramento de três meses em fevereiro para amortecer o golpe da redução da cooperação do Irã com a agência, que permitiu o monitoramento de algumas atividades nucleares que de outra forma teriam continuado sem fiscalização.

Teerã disse no domingo (23) que o acordo expirou e que o acesso da Aiea a imagens de dentro de algumas instalações nucleares iranianas cessaria.

"O diretor-geral da Aiea hoje (segunda-feira) foi informado da decisão do Irã de prorrogar o acordo por um mês", disse Kazem Gharibabadi, embaixador de Teerã na agência da ONU com sede em Viena, segundo a mídia estatal.

"Os dados dos últimos três meses ainda estão na posse do Irã e não serão entregue à Aiea. Os dados para o próximo mês irão permanecer apenas com o Irã, segundo o acordo", disse Gharibabadi.

Diplomatas ocidentais disseram que não prorrogar o acordo de monitoramento com a Aiea poderia prejudicar os esforços para salvar o acordo de 2015, que visa impedir o Irã de desenvolver armas nucleares. Teerã diz que nunca buscou armas.

O Irã e as potências mundiais retomarão as negociações em Viena nesta semana sobre o acordo nuclear, do qual os Estados Unidos saíram há três anos. Os EUA voltaram a impor sanções à República Islâmica.

"Eu recomendo que eles usem esta oportunidade, que foi fornecida de boa fé pelo Irã, e levantem todas as sanções de uma maneira prática e verificável", disse Gharibabadi.